A apresentadora Oprah Winfrey confessou ter sofrido com o efeito rebote das canetas de emagrecimento. Após interromper o uso de análogos de GLP-1 (classe de medicamentos como Ozempic e Mounjaro) por um ano, ela viu 9 kg retornarem ao seu corpo.
"Queria me testar. Todo mundo dizia que eu ia engordar, e eu pensei 'vou provar que consigo, vou fazer trilha, me exercitar'… mas engordei", desabafou a apresentadora. O relato de Oprah não é um caso isolado, mas uma confirmação do que a ciência já alerta: a obesidade é uma doença crônica e o corpo tende a lutar para recuperar o peso perdido.
O caso reforça a importância de entender que esses medicamentos não são "cura", mas tratamento. Segundo a Dra. Patricia Magier, ginecologista especialista em Medicina Integrativa, a descontinuação abrupta desses agentes gera um desafio clínico imenso, pois o organismo ativa mecanismos biológicos poderosos para estocar energia novamente.
Por que o peso volta tão rápido?
Muitos pacientes se sentem culpados quando o peso retorna, achando que falharam na dieta ou na força de vontade. No entanto, a explicação é fisiológica. A obesidade possui um forte componente neuroendócrino.
Quando você emagrece rapidamente com o auxílio das canetas, seu metabolismo não "comemora"; ele entra em estado de alerta. "Quando o peso corporal diminui, o organismo ativa mecanismos para restaurá-lo. O corpo tende a 'lutar' contra a perda de peso", explica a Dra. Patricia.
Estudos identificaram três processos principais que causam esse reganho acelerado:
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Ajustes hormonais: a retirada do remédio altera os hormônios da fome (grelina) e da saciedade (leptina). Você sente mais fome do que antes.
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Cérebro sem comando: o sistema nervoso central perde a ajuda química que controlava o apetite e o gasto de energia.
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Dependência metabólica: o corpo, acostumado com a sinalização do medicamento para regular o açúcar, demora a retomar o controle sozinho.
Metabolismo adaptativo
A especialista destaca que, ao parar a medicação, ocorre uma "hiperfagia compensatória". Ou seja, o cérebro entende que você passou por um período de escassez e agora precisa comer desesperadamente para garantir a sobrevivência.
Sem a medicação travando o apetite, a fome volta com força total, muitas vezes maior do que no período pré-tratamento. É por isso que parar de usar a caneta exige estratégia, e não apenas o fim da receita médica.
6 estratégias para evitar o efeito rebote
Se o uso contínuo não for uma opção (seja por custo ou escolha pessoal, como no caso de Oprah), é possível minimizar o impacto. A Dra. Patricia Magier listou seis formas de blindar o corpo contra o reganho de peso.
1. Desmame gradual, nunca abrupto
Parar o remédio de uma vez é um erro grave. "A retirada abrupta pode causar um aumento descontrolado da fome. O ideal é reduzir a dose progressivamente ao longo de semanas", ensina a médica.
2. Dieta rica em proteína e fibras
A alimentação precisa mudar de foco. Como o remédio não está mais lá para segurar a comida no estômago, você precisa de alimentos que façam isso fisicamente.
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Proteínas: Compensam a queda de saciedade.
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Fibras: Mantêm a microbiota intestinal saudável e o índice glicêmico estável.
3. Cuidado redobrado no climatério
Para mulheres na perimenopausa ou menopausa, a queda hormonal natural já favorece o ganho de peso. A médica sugere o uso de terapias hormonais adjuvantes para preservar a massa magra e o metabolismo.
"A modulação do eixo testosterona/estrogênio ajuda a evitar a queda do gasto energético", pontua Dra. Patricia
4. Atenção ao intestino
O uso de probióticos pode ser um aliado. Um intestino saudável, com bactérias que fermentam fibras corretamente, ajuda a regular o metabolismo energético, impedindo que o corpo estoque gordura com tanta facilidade.
5. Musculação é inegociável
Exercícios aeróbicos (como a caminhada de Oprah) são bons para o coração, mas para segurar o peso pós-caneta, o segredo é o músculo.
Exercícios de força (musculação) mantêm a taxa metabólica basal elevada. Quanto mais músculo você tiver, mais calorias seu corpo queima em repouso, dificultando o efeito rebote.
6. Suporte psicológico
A obesidade mexe com a mente. Terapias cognitivo-comportamentais ajudam a reeducar a resposta do paciente diante da comida, evitando que a ansiedade pela falta do medicamento vire compulsão alimentar.
Por fim, o exemplo de Oprah serve de alerta. O sucesso no controle do peso exige vigilância e uma abordagem multidisciplinar. Se for parar a medicação, faça isso com acompanhamento médico e um plano de ação traçado.