Uma pequena lagartixa de aparência incomum virou alvo de cientistas por um motivo inesperado. Ela desenvolve câncer com uma frequência muito acima do esperado.
Conhecida como lemon frost, essa variedade da lagartixa-leopardo é criada por colecionadores e criadores de répteis em países como Estados Unidos e Reino Unido.
O que chamou a atenção dos pesquisadores, porém, não foi a coloração branca e amarela, mas um problema de saúde. Cerca de 8 em cada 10 desses animais desenvolvem tumores agressivos.
Em muitos casos, o câncer se espalha para outras partes do corpo, um processo chamado metástase.
Foi justamente essa característica que levou pesquisadores a investigar o animal mais de perto.
O estudo identificou alterações genéticas semelhantes às observadas em diferentes tipos de câncer humano. Essa descoberta pode ajudar os cientistas a compreender melhor a doença.
O que uma lagartixa pode ensinar sobre o câncer?
Diferentemente dos camundongos usados em laboratório, a lagartixa lemon frost desenvolve câncer espontaneamente, sem que os tumores precisem ser provocados pelos pesquisadores.
Isso permite acompanhar a doença desde o início e observar como ela evolui e, em alguns casos, se espalha para outras partes do corpo.
Essas características fazem da espécie um modelo promissor para pesquisas sobre o câncer.
Lagartixa e câncer: por que essa descoberta é importante?
Os pesquisadores acreditam que esse modelo pode ajudar a responder perguntas que ainda desafiam a ciência, como:
- como um tumor começa;
- por que alguns cânceres se tornam mais agressivos;
- como o câncer se espalha para outras partes do corpo.
Além de complementar os estudos feitos com animais de laboratório, a comparação entre espécies que desenvolvem câncer com frequência e outras que raramente apresentam a doença pode revelar novas pistas sobre como o organismo consegue se proteger do câncer.
A natureza ainda pode esconder respostas para a medicina
A pesquisa reforça uma ideia cada vez mais valorizada pela ciência. Observar diferentes espécies pode ajudar a entender melhor doenças que também afetam os seres humanos.
Cada animal seguiu um caminho diferente ao longo da evolução. Enquanto alguns parecem ser naturalmente resistentes ao câncer, outros, como a lagartixa lemon frost, têm uma predisposição muito maior à doença.
Para os pesquisadores, ampliar esse tipo de investigação pode revelar por que algumas espécies conseguem conter o desenvolvimento do câncer, enquanto outras são muito mais vulneráveis.
Essas descobertas podem abrir novos caminhos para futuras pesquisas.
Publicado na revista científica BMC Biology, o estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Nottingham em parceria com instituições de outros países. Embora os resultados ajudem a entender melhor como o câncer se desenvolve, a pesquisa ainda está em estágio inicial.
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