A confirmação de três mortes a bordo de um cruzeiro no Atlântico, possivelmente relacionadas a um surto de hantavírus, acendeu um alerta internacional neste domingo (3) e mobilizou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Até o momento, um caso foi confirmado e outros cinco seguem sob investigação. Além das vítimas fatais, três passageiros adoeceram durante a viagem do navio MV Hondius, que opera entre Ushuaia e Cabo Verde. Um dos pacientes está internado em estado grave, na UTI, na África do Sul.
O que é o hantavírus?
Segundo o Ministério da Saúde, hantavirose é uma doença viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
A doença é transmitida por alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer. A Hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus.
A OMS diz que o risco para a população em geral é baixo e não recomendou restrições de viagem. "O risco para o público em geral continua baixo. Não há necessidade de pânico ou restrições de viagem", disse o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge.
O hantavírus está geralmente associado a roedores que vivem em ambientes rurais e florestais, e não aos ratos comuns das cidades. No Brasil, entre 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos e 937 óbitos, sendo cerca de 70% registrados em áreas rurais, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Sintomas
Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:
- Febre;
- Dor nas articulações;
- Dor de cabeça;
- Dor lombar;
- Dor abdominal;
- Sintomas gastrointestinais.
Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:
- Febre;
- Dificuldade de respirar;
- Respiração acelerada;
- Aceleração dos batimentos cardíacos;
- Tosse seca;
- Pressão baixa.
Como tratar?
Não existe um tratamento específico para a doença; a conduta depende da gravidade do quadro. Na síndrome cardiopulmonar, podem ser necessários oxigênio, medicamentos para estabilizar a pressão arterial e, em situações mais graves, ventilação mecânica ou suporte de oxigenação do sangue.
Já nos casos com comprometimento renal, pode haver necessidade de diálise e uso de antivirais. A evolução e as medidas de suporte variam conforme a forma da doença e a resposta de cada paciente.