O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta, 5, que distribuirá o medicamento tafenoquina, usado no tratamento da malária, em versão pediátrica de 50 miligramas no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova dosagem é indicada a crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. Até então, o remédio era ofertado somente a indivíduos com mais de 16 anos. O Brasil é o primeiro País a tomar essa iniciativa.
Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos de tafenoquina pediátrica. Desse total, 64.800 terão como destino as áreas de maior incidência da doença, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.
Esses territórios, segundo a pasta, concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. A entrega do medicamento começou na segunda-feira, 2, e ocorre de forma gradual. O primeiro distrito contemplado será o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos. O investimento é de R$ 970 mil.
Em comunicado à imprensa, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, destaca a importância do projeto. "À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades."
"Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença. Se não há um medicamento como a tafenoquina para crianças e não há um teste rápido que facilite o diagnóstico precoce, ficamos sem ferramentas eficazes para enfrentar o problema. Por isso, levar essas tecnologias para as áreas mais afetadas pela malária, onde elas podem gerar maior impacto, é uma obrigação nossa", acrescenta.
A versão pediátrica do medicamento será administrada em dose única. Segundo a pasta, a formulação contribui para a eliminação completa do parasita e para a prevenção de recaídas, o que ajuda a interromper a transmissão da doença.
O medicamento também permite ajustar a dose de acordo com o peso da criança, o que aumenta a eficácia do tratamento, conforme o ministério. Para garantir a segurança e implementação efetiva da tafenoquina pediátrica, a pasta realiza oficinas de treinamento. Nessa primeira etapa, 250 profissionais dos DSEI prioritários serão habilitados.
O que é a malária?
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por três protozoários do gênero Plasmodium: P. falciparum, P. vivax e P. malariae.
A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles (também conhecido como "mosquito prego") infectada por uma ou mais espécies do Plasmodium.
A doença é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde global.
Quais são os sintomas?
Depois da picada, o parasita pode permanecer incubado no corpo por pelo menos uma semana antes do início dos sintomas.
De forma geral, o quadro inicial inclui febre alta, calafrios, sudorese intensa, dor de cabeça, dores musculares e, em alguns casos, taquicardia, aumento do baço e até episódios de delírio.
Malária na Amazônia
No Brasil, a grande maioria dos casos ocorre na região Amazônica, sobretudo em áreas de difícil acesso e em territórios indígenas. Fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença.
O Ministério afirma que tem ampliado o monitoramento e reforçado as ações de controle do vetor. Entre as estratégias adotadas estão a busca ativa de casos, a distribuição de testes rápidos e outras medidas voltadas ao diagnóstico e ao tratamento na região.
Entre 2023 e 2025, apenas no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes e crescimento de 116,6% no número de diagnósticos. No mesmo período, os óbitos por malária caíram 70%.
Apesar do aumento na detecção, o número de casos tem diminuído no País. Em 2025, o Brasil registrou o menor total desde 1979, com queda de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas, a redução foi de 16%. Os casos ligados ao Plasmodium falciparum, protozoário responsável pela forma mais grave da doença, também caíram 30% na comparação com o ano anterior.