Exercício físico pode aumentar a ansiedade? Entenda os sinais

Entenda como picos de frequência cardíaca e a pressão por performance podem transformar o treino em um gatilho emocional

23 fev 2026 - 19h51

O exercício físico é amplamente conhecido como um dos pilares do tratamento para transtornos mentais, especialmente a ansiedade e a depressão.

Confira como a dose certa do exercício físico influencia a ansiedade
Confira como a dose certa do exercício físico influencia a ansiedade
Foto: Shutterstock / Sport Life

A liberação de endorfina e dopamina gera uma sensação de bem-estar imediata.

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No entanto, um fenômeno menos discutido, mas real, é a possibilidade de a atividade física atuar como um gatilho para crises de ansiedade em certas pessoas ou sob condições específicas.

Para atletas e praticantes de atividades físicas, entender a linha tênue entre o esforço saudável e o desequilíbrio emocional é fundamental para manter a longevidade no esporte.

A resposta fisiológica: Exercício vs. ansiedade

A razão pela qual o exercício pode ser confundido com ansiedade pelo cérebro é puramente fisiológica.

Quando realizamos treinos de alta intensidade (como HIIT, corridas de explosão ou Crossfit), o corpo entra em um estado de "luta ou fuga". 

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A frequência cardíaca dispara, a respiração torna-se curta e rápida, há sudorese e, por vezes, tremores musculares.

Para uma pessoa que sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) ou Síndrome do Pânico, essas sensações físicas são idênticas aos sintomas iniciais de uma crise.

O cérebro, ao interpretar o aumento do batimento cardíaco como um sinal de perigo eminente e não como uma resposta ao esforço, pode desencadear uma resposta ansiosa real. Levando o praticante ao desconforto extremo ou à interrupção do treino.

Quando o excesso se torna um problema: Overtraining

Outro fator crucial é o overtraining (excesso de treinamento).

Quando o volume e a intensidade dos exercícios superam a capacidade de recuperação do corpo, ocorre um desequilíbrio no sistema nervoso autônomo.

O excesso de treino eleva cronicamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.

Nesse estado, em vez de relaxar após a atividade, o indivíduo permanece em um estado de hipervigilância. Os sinais de que o exercício está aumentando sua ansiedade por conta do excesso incluem:

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  • Irritabilidade constante.

  • Dificuldade para pegar no sono (insônia pós-treino).

  • Sensação de fadiga que não passa com o descanso.

  • Palpitações mesmo em repouso.

A pressão pela performance e a estética

Nem todo aumento de ansiedade no esporte é físico; muito dele é psicológico.

No cenário atual, a pressão por resultados, seja bater um recorde pessoal ou atingir um padrão estético inalcançável, transforma o que deveria ser um hobby em uma fonte de cobrança.

Praticantes que se sentem ansiosos por "terem" que treinar, ou que sentem culpa excessiva ao perder um dia de academia, estão transformando o exercício em um agente estressor.

A vigorexia (obsessão pelo corpo perfeito) é um exemplo de como a relação com a atividade física pode se tornar patológica e gerar níveis altíssimos de ansiedade.

Sinais de alerta: Como identificar a ansiedade no treino

É importante diferenciar o cansaço natural de um quadro de ansiedade induzido pelo exercício. Fique atento aos seguintes sinais:

  1. Aversão ao ambiente: Sentir um aperto no peito ou vontade de chorar só de entrar na academia.

  2. Foco obsessivo nos batimentos: Monitorar o relógio cardíaco com medo de que o coração "não aguente".

  3. Pensamentos intrusivos: Durante o treino, a mente foca em problemas do trabalho ou preocupações futuras em vez do movimento.

  4. Ataque de pânico pós-esforço: Sentir uma queda brusca de energia acompanhada de desespero logo após o término da atividade.

Como ajustar a rotina para proteger a mente

Se você sente que o exercício está aumentando sua ansiedade, não é necessário parar, mas sim ajustar a estratégia.

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  • Aposte no baixo impacto: Atividades como ioga, natação leve e caminhadas ao ar livre ajudam a regular o sistema nervoso sem atingir picos de frequência cardíaca que mimetizam o pânico.

  • Atenção à respiração: Praticar técnicas de respiração diafragmática durante o descanso entre as séries ajuda a avisar ao cérebro que o corpo está seguro.

  • Reduza o café: O uso de pré-treinos ricos em cafeína associado ao exercício intenso é uma "bomba" para quem já é ansioso, pois a cafeína potencializa a agitação psicomotora.

  • Treine sem monitoramento: Por um tempo, deixe de lado os smartwatches que monitoram cada caloria e batimento. Foque na percepção subjetiva de esforço e no prazer do movimento.

O exercício físico continua sendo um dos melhores remédios para a ansiedade, desde que praticado com consciência.

O aumento da ansiedade através do esporte é geralmente um sinal de que algo está em desequilíbrio.

Ou a intensidade está acima do que seu sistema nervoso suporta no momento, ou a sua relação mental com o treino está baseada em punição e não em cuidado. 

Ouvir os sinais do corpo é o primeiro passo para que o suor volte a ser sinônimo de alívio, e não de aflição.

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