A queda de estrogênio na menopausa, somada a noites mal dormidas e estresse, pode causar falhas de memória e perda de concentração. Segundo o ginecologista Waldir Moreno, esses sintomas não devem ser confundidos com demência e podem ser atenuados além da terapia hormonal. O especialista recomenda seis hábitos para preservar a função cerebral: limitar a carga de trabalho, praticar exercícios, manter uma dieta equilibrada, relaxar, priorizar a leitura ao celular e cultivar a convivência social.
Ginecologista Waldir Moreno explica como alterações hormonais, sono e estresse afetam concentração e traça estratégias para preservar o bem-estar e a atividade intelectual
Esquecimentos, dificuldade de concentração e a sensação de estar com a "mente nebulosa" estão entre as queixas que podem aparecer durante a menopausa. Segundo o ginecologista Waldir Moreno Arevalo, membro da Sociedade Brasileira de Climatério e autor de Descomplicando a Menopausa, esses sintomas estão relacionados principalmente às mudanças hormonais que acontecem nessa fase, especialmente à queda do estrogênio. O hormônio atua em processos importantes para o funcionamento cerebral e, com sua redução, podem surgir alterações na capacidade de concentração e memória.
O quadro pode ser agravado por outros sintomas comuns da menopausa. Ondas de calor, por exemplo, podem provocar despertares durante a noite e prejudicar a qualidade do sono. Com a falta de descanso, a mulher pode desenvolver irritabilidade e dificuldade de concentração no dia seguinte. "Ela não descansa, o cérebro não faz o reset, não relaxa. E no outro dia ela está mais irritada, mais ansiosa, com mais apagões, com mais esquecimento", explica Waldir.
Atenção aos sinais
Para o ginecologista, é importante diferenciar essas alterações cognitivas dos quadros de demência, que estão relacionados a processos distintos e, em geral, aparecem em idades mais avançadas. Ele também ressalta que a intensidade do chamado brain fog pode variar e que fatores como estresse, sono inadequado e a própria rotina profissional podem potencializar as dificuldades.
"A maioria das mulheres, nessa fase, são produtivas e estão trabalhando. E quando têm dificuldades de memória e raciocínio acabam sofrendo", afirma.
Waldir defende que a atenção à saúde durante a menopausa deve ir além do tratamento hormonal, quando este for indicado após avaliação médica individualizada. Alimentação equilibrada, atividade física, descanso e momentos de lazer também fazem parte desse cuidado. "Quando há essa mudança a nível de atividade física e alimentação, junto com os hormônios, ela recupera toda a qualidade cerebral", diz.
Confira abaixo 6 hábitos para manter o cérebro ativo durante a menopausa:
1. Estabelecer limites para a rotina de trabalho
Evitar jornadas excessivamente longas e momentos constantes de pressão. Para Waldir, quando não é possível reduzir a carga de trabalho, inserir períodos de atividade física ao longo do dia pode ser uma alternativa.
2. Praticar atividade física regularmente
Alongamento, Pilates, natação e outras atividades podem contribuir para circulação, disposição e redução do estresse. O especialista sugere até mesmo reservar cerca de 45 minutos do dia para se movimentar.
3. Priorizar uma alimentação equilibrada
Waldir chama atenção para a importância de uma alimentação balanceada e cita a dieta mediterrânea e padrões alimentares anti-inflamatórios como referências que podem fazer parte de uma rotina saudável.
4. Criar momentos de relaxamento
Meditação, ioga, alongamento e musicoterapia estão entre as atividades sugeridas pelo ginecologista para ajudar a reduzir ansiedade e estresse. Ele também recomenda alongamentos antes de dormir.
5. Trocar parte do tempo no celular pela leitura
Além de ser uma atividade de relaxamento, a leitura pode estimular concentração e vocabulário. Waldir recomenda reduzir o consumo constante de notícias pelo celular e reservar espaço para os livros.
6. Manter relações sociais e momentos de lazer
Ter atividades de descontração e relacionamento ao longo da semana também é apontado pelo especialista como parte importante da qualidade de vida durante a menopausa.