Endometriose: por que a doença ainda demora a ser diagnosticada no Brasil

Condição que afeta milhões de mulheres ainda enfrenta desinformação e demora no diagnóstico

9 mar 2026 - 14h39

A Endometriose é uma doença crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso representa aproximadamente 190 milhões de pessoas convivendo com a condição.

Saiba o que pode agravar os sintomas da endometriose e comprometer a qualidade de vida
Saiba o que pode agravar os sintomas da endometriose e comprometer a qualidade de vida
Foto: Divulgação / Saúde em Dia

No Brasil, a estimativa é de que mais de 7 milhões de mulheres tenham endometriose. Muitas delas passam anos lidando com dor antes de receber um diagnóstico correto.

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O problema ganha ainda mais atenção durante o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, celebrado em 13 de março. A data busca ampliar o acesso à informação e incentivar o diagnóstico precoce.

Segundo o ginecologista Jardel Pereira Soares, autor do livro Descomplicando a Endometriose, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos.

"Muitas mulheres crescem ouvindo que cólica intensa é normal. Esse entendimento equivocado faz com que sintomas importantes sejam ignorados por muito tempo", explica o médico.

Endometriose vai além da cólica menstrual

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o útero, cresce fora da cavidade uterina.

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Esse tecido pode atingir diferentes órgãos, como:

  • ovários.

  • trompas.

  • intestino.

  • bexiga.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • dor pélvica crônica.

  • cólica menstrual intensa.

  • dor durante as relações sexuais.

  • dificuldade para engravidar.

Em muitos casos, os sinais são confundidos com desconfortos comuns do ciclo menstrual. Isso contribui para o atraso no diagnóstico.

Diagnóstico pode levar até sete anos

Estudos internacionais indicam que o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico da endometriose pode chegar a sete anos.

Esse atraso pode permitir a progressão da doença. Além disso, aumenta os impactos físicos e emocionais para as pacientes.

Pesquisas também mostram que mulheres com endometriose apresentam maior risco de desenvolver ansiedade e depressão.

Outro ponto importante é a relação com a fertilidade. Dados científicos indicam que a doença pode estar presente em até 50% das mulheres com infertilidade.

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Segundo o especialista, identificar o problema cedo faz diferença no tratamento.

"Quando o diagnóstico acontece precocemente, conseguimos controlar melhor a dor, planejar o tratamento e preservar a fertilidade", afirma Jardel.

Avanços no diagnóstico e no tratamento

Nos últimos anos, a medicina avançou no diagnóstico e no tratamento da endometriose.

Exames de imagem mais precisos ajudam a identificar lesões com maior segurança. Além disso, técnicas cirúrgicas modernas ampliaram as opções de tratamento.

Entre os principais procedimentos estão:

  • Videolaparoscopia.

  • Cirurgia robótica.

Essas abordagens são consideradas minimamente invasivas. Em muitos casos, elas reduzem o tempo de recuperação e melhoram os resultados clínicos.

O tratamento, porém, deve sempre ser individualizado.

"Cada paciente tem sintomas e necessidades diferentes. Por isso, é fundamental avaliar a extensão da doença, a intensidade da dor e o desejo de engravidar", explica o ginecologista.

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Informação é essencial para reduzir o atraso no diagnóstico

Especialistas defendem que a conscientização é uma das principais estratégias para melhorar o diagnóstico da endometriose.

Quando sintomas como cólica incapacitante e dor persistente são investigados cedo, as chances de tratamento adequado aumentam.

O Dia Nacional de Luta contra a Endometriose reforça justamente esse alerta: dor intensa durante o ciclo menstrual não deve ser ignorada.

Ampliar o acesso à informação, investir na capacitação de profissionais de saúde e facilitar o acesso a centros especializados são passos importantes.

Com mais conhecimento e diagnóstico precoce, é possível melhorar a qualidade de vida de milhões de mulheres que convivem com a endometriose.

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