É possível engravidar após os 40 anos mesmo com endometriose? Entenda

Gravidez da apresentadora Sabrina Sato reacende o debate sobre fertilidade, idade materna e cuidados para mulheres com a doença

17 jul 2026 - 17h01

A gravidez da apresentadora Sabrina Sato voltou a chamar atenção para uma questão que acompanha muitas brasileiras diagnosticadas com endometriose: a possibilidade de engravidar após os 40 anos. Embora a doença seja uma das principais causas de infertilidade feminina, ela não impede uma gestação. No entanto, a combinação de idade avançada e endometriose exige planejamento e um acompanhamento médico ainda mais cuidadoso.

Embora a endometriose seja uma das principais causas de infertilidade feminina, ela não impede a maternidade
Embora a endometriose seja uma das principais causas de infertilidade feminina, ela não impede a maternidade
Foto: Reshetnikov_art | Shutterstock / Portal EdiCase

O ginecologista e obstetra especialista em endometriose Dr. César Patez, do Espírito Santo, e o ginecologista e obstetra Dr. Paulo Noronha, de São Paulo, explicam os principais pontos sobre endometriose e gravidez tardia. Confira!

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1. Endometriose não significa que a gravidez é impossível

Receber o diagnóstico da doença costuma gerar insegurança, principalmente entre mulheres que ainda desejam ter filhos. No entanto, a infertilidade não acontece em todos os casos e depende do estágio da endometriose e do comprometimento dos órgãos reprodutivos.

"A endometriose pode reduzir a fertilidade, mas não impede que todas as mulheres engravidem. Muitas conseguem a gestação de forma espontânea, enquanto outras precisam de tratamentos específicos. Hoje dispomos de recursos capazes de preservar a fertilidade e aumentar significativamente as chances de gravidez quando existe um planejamento adequado", explica o Dr. César Patez.

2. Após os 40 anos, a idade passa a ser um fator tão importante quanto a doença

Mesmo em mulheres sem endometriose, a fertilidade diminui naturalmente com o passar dos anos. Quando ambos os fatores estão presentes, o acompanhamento precisa ser ainda mais individualizado. "A partir dos 40 anos, ocorre uma queda importante da reserva ovariana. Quando a paciente também apresenta endometriose, avaliamos cuidadosamente o histórico clínico, exames e condições gerais de saúde antes mesmo da gravidez. Cada caso exige uma estratégia diferente para garantir mais segurança", explica o Dr. Paulo Noronha.

3. A gravidez pode ser considerada de maior risco, mas isso não significa que haverá complicações

O termo "gestação de risco" costuma assustar muitas mulheres. No entanto, na prática, ele indica apenas que a paciente precisará de um pré-natal mais próximo. "A idade materna avançada aumenta a chance de algumas intercorrências, como hipertensão, diabetes gestacional e parto prematuro. Isso não significa que elas irão acontecer. O objetivo do pré-natal é justamente identificar qualquer alteração precocemente e conduzir a gravidez com segurança para mãe e bebê", ressalta o Dr. César Patez. Segundo ele, a medicina atual permite monitorar essas pacientes de forma bastante eficiente.

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4. A gravidez costuma aliviar os sintomas da endometriose, mas não cura a doença

Muitas mulheres relatam melhora importante das dores relacionadas à endometriose durante a gestação. No entanto, isso acontece por causa das alterações hormonais típicas desse período. "Durante a gravidez, a paciente deixa de menstruar e isso reduz temporariamente a atividade da endometriose, proporcionando alívio dos sintomas. Porém, as lesões continuam presentes e podem voltar a causar dor após o parto, quando os ciclos menstruais retornam", explica o Dr. Paulo Noronha. Por isso, é importante não criar falsas expectativas em relação à doença.

A orientação médica é fundamental para mulheres com endometriose que desejam engravidar
Foto: Studio Romantic | Shutterstock / Portal EdiCase

5. O planejamento da gravidez faz toda a diferença

Mulheres com endometriose que desejam engravidar devem procurar orientação médica antes mesmo de suspender os métodos contraceptivos. Conforme o Dr. César Patez, isso permite avaliar a reserva ovariana e definir a melhor estratégia para cada paciente.

"Planejar a gestação possibilita identificar possíveis dificuldades antes que elas aconteçam. Em alguns casos, indicamos apenas acompanhamento; em outros, tratamentos específicos ou técnicas de reprodução assistida. Quanto mais cedo a paciente procurar ajuda, maiores costumam ser as chances de sucesso", afirma.

6. Cada caso de endometriose é diferente

Nem toda paciente apresenta a mesma gravidade da doença, o que explica por que algumas engravidam rapidamente enquanto outras enfrentam dificuldades. Segundo o Dr. Paulo Noronha, a individualização é um dos pilares do tratamento da endometriose.

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"A localização das lesões, cirurgias anteriores, comprometimento dos ovários e o tempo de evolução da doença mudam completamente a condução do caso. Não existe uma regra única para todas as mulheres com endometriose", ressalta.

7. O diagnóstico não deve acabar com o sonho da maternidade

Os médicos reforçam que a medicina evoluiu muito nas últimas décadas, tanto no tratamento da endometriose quanto na reprodução assistida. Na avaliação do Dr. César Patez, histórias como a de Sabrina Sato ajudam a quebrar um dos principais mitos sobre a doença: a impossibilidade de uma gravidez.

"A maternidade continua sendo uma realidade para muitas mulheres com endometriose, inclusive após os 40 anos. O mais importante é buscar acompanhamento especializado, evitar o autodiagnóstico e entender que cada paciente possui um caminho diferente até a gravidez. Hoje temos condições de oferecer tratamentos muito mais eficazes do que há alguns anos", finaliza.

Por Sarah Carvalho 

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