O médico Drauzio Varella denunciou o uso indevido de sua imagem para a venda de medicamentos falsos na internet. O relato foi feito durante uma palestra no fórum "BBC World Service: Trust is Earned – O Desafio da Credibilidade", onde o especialista criticou a Meta por lucrar com anúncios fraudulentos que configuram crime contra a saúde pública.
A prática começou há cerca de dez anos, após uma reportagem do programa Fantástico sobre dores na coluna. Golpistas passaram a usar trechos da gravação com locutores falsos para vender produtos ineficazes.
"Eu provavelmente sou o maior vendedor de remédios falsos do Brasil", afirmou Drauzio Varella, destacando a frequência com que recebe mensagens de amigos e pacientes sobre o tema.
Como funciona o esquema de vendas falsas?
Os criminosos pagam pelo impulsionamento de vídeos nas redes sociais da Meta para alcançar milhões de usuários diariamente. A estratégia visa enganar o público com falsas promessas de tratamentos médicos, configurando estelionato e crime contra a saúde pública, segundo a avaliação do especialista.
O médico relatou o caso de uma mulher negra que o abordou na rua após comprar um remédio ineficaz para dor nas articulações. O produto, adquirido após a visualização de uma propaganda falsa, não trouxe nenhum benefício à paciente.
Varella classifica a prática como um crime inafiançável. O especialista elogiou o YouTube por possuir mecanismos de controle que barram esse tipo de estelionato na plataforma de vídeos.
Qual é a responsabilidade das plataformas digitais?
Na visão de Varella, porém, as plataformas digitais são coniventes no impulsionamento de propagandas falsas. O médico afirma que as empresas não demonstram interesse em retirar os conteúdos fraudulentos do ar.
"Eles são sócios desses bandidos, desses estelionatários, desses criminosos", declarou o médico durante a entrevista.