Celulares: por que os aparelhos se tornaram verdadeiras fábricas de germes

O celular tornou-se uma extensão do corpo humano, presente em quase todas as atividades diárias. No entanto, esse companheiro constante também aparece na fala de pesquisadores como uma verdadeira "fábrica de germes". Saiba o por que disso.

24 jan 2026 - 13h19

O celular tornou-se uma extensão do corpo humano, presente em quase todas as atividades diárias. No entanto, esse companheiro constante também aparece na fala de pesquisadores como uma verdadeira "fábrica de germes". Afinal, ele é capaz de acumular bactérias, vírus e fungos em níveis superiores aos encontrados em muitos objetos de uso comum. Ademais, estudos recentes indicam que a combinação de calor, contato frequente com as mãos e ambientes pouco higienizados cria um cenário favorável para a sobrevivência e multiplicação de micro-organismos.

Apesar de ser visto como um item pessoal, o telefone móvel circula por diferentes espaços. Afinal, ele é levado ao trabalho, à academia, ao transporte público e, em muitos casos, até ao banheiro. Assim, esse trajeto diário facilita o contato com superfícies contaminadas e amplia as chances de o aparelho funcionar como vetor indireto de doenças. Por isso, profissionais da saúde destacam que, mesmo quando o celular parece limpo, ele pode abrigar uma ampla diversidade de micróbios invisíveis a olho nu.

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Apesar de ser visto como um item pessoal, o telefone móvel circula por diferentes espaços. Afinal, ele é levado ao trabalho, à academia, ao transporte público e, em muitos casos, até ao banheiro – depositphotos.com / HayDmitriy
Apesar de ser visto como um item pessoal, o telefone móvel circula por diferentes espaços. Afinal, ele é levado ao trabalho, à academia, ao transporte público e, em muitos casos, até ao banheiro – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

Por que o celular é uma "fábrica de germes"?

A principal explicação científica está na combinação de fatores físicos e de comportamento. Assim, o celular permanece grande parte do tempo aquecido, seja pelo funcionamento interno ou pelo contato com as mãos e o rosto. Ademais, esse calor leve, aliado à umidade produzida pelo suor e pela respiração, cria um ambiente favorável para a sobrevivência de bactérias e vírus em sua superfície, especialmente na tela e na capa.

Além disso, toca-se no aparelho inúmeras vezes ao dia, geralmente sem que haja higienização prévia das mãos. Afinal, cada toque transfere micro-organismos para o celular e, em sentido inverso, do celular para a pele e para a região da face. Pesquisas apontam que essa troca constante transforma o telefone em um meio eficiente de transporte de germes entre ambientes diferentes, como casa, trabalho, escola e espaços públicos.

Estudos mostram: celular pode ter mais germes que o vaso sanitário?

Ao longo da última década, diversos levantamentos compararam a quantidade de bactérias presente em celulares com a de outros objetos de uso diário. Em algumas análises laboratoriais, os pesquisadores identificaram que a superfície do telefone podia concentrar, em média, mais colônias de bactérias do que a superfície externa de assentos de vaso sanitário, corrimãos de transporte público e teclados de computador compartilhados.

Entre os micro-organismos encontrados, aparecem bactérias associadas a infecções de pele e do trato respiratório, além de micróbios ligados a quadros gastrointestinais. Em estudos realizados em hospitais e clínicas, aparelhos de profissionais de saúde mostraram presença de bactérias hospitalares resistentes, o que reforça a importância da higienização adequada em ambientes de maior risco. Infectologistas destacam que o celular não é, por si só, a causa principal das doenças, mas funciona como mais um elo na cadeia de transmissão.

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Outra linha de pesquisa analisou o uso de celulares em ambientes coletivos, como ônibus e metrôs. As mãos que tocam em barras, assentos e maquininhas de pagamento acabam transferindo o que está nessas superfícies para o aparelho. Em testes realizados com grupos de voluntários, constatou-se que pessoas que utilizam o telefone logo após segurar em corrimãos ou apoios, sem lavar as mãos, apresentavam maior carga microbiana nos dispositivos ao final do dia.

Uso do celular em banheiros e transporte público aumenta o risco?

O hábito de levar o celular ao banheiro é apontado por especialistas como um dos comportamentos que mais contribuem para o aumento da contaminação dos aparelhos. Estudos de microbiologia ambiental mostram que, ao dar descarga, microgotículas podem se dispersar no ar, alcançando superfícies próximas. Quando o telefone está sobre a pia, em uma prateleira ou mesmo na mão, pode receber parte desses aerossóis contendo bactérias e vírus oriundos de fezes e urina.

No transporte público, o cenário é semelhante. Trens, ônibus e metrôs concentram grande fluxo de pessoas, o que aumenta a circulação de micro-organismos em barras, assentos e botões. O celular é frequentemente manuseado após o contato com essas superfícies, e, muitas vezes, o usuário depois toca o rosto, a boca ou os olhos sem higienizar as mãos. Profissionais de saúde pública apontam essa sequência de ações como um caminho relevante para a transmissão de agentes infecciosos respiratórios e intestinais.

  • Banheiros públicos: maior risco de contato com germes fecais e gotículas em suspensão.
  • Transporte coletivo: intensa circulação de pessoas e superfícies raramente desinfetadas.
  • Ambientes de trabalho compartilhados: troca de aparelhos, uso próximo a computadores e mesas já contaminadas.

Quais riscos à saúde estão associados a celulares contaminados?

Os riscos mais citados por especialistas envolvem doenças respiratórias, problemas gastrointestinais e infecções de pele. Quando o celular entra em contato com mãos contaminadas e, em seguida, é aproximado do rosto, aumenta-se a chance de micro-organismos alcançarem mucosas do nariz, boca e olhos. Esse processo favorece a entrada de vírus respiratórios e algumas bactérias oportunistas.

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Em relação ao trato gastrointestinal, o risco está ligado à transferência de germes das superfícies do telefone para as mãos e, depois, para alimentos ou objetos levados à boca. Ademais, em ambientes com circulação de bactérias fecais, como banheiros, essa possibilidade ganha maior relevância. Em pessoas com imunidade comprometida, idosos e crianças pequenas, contaminantes presentes no celular podem ter impacto mais significativo.

Quando o celular entra em contato com mãos contaminadas e, em seguida, é aproximado do rosto, aumenta-se a chance de micro-organismos alcançarem mucosas do nariz, boca e olhos – depositphotos.com / tatsianama
Foto: Giro 10

Como limpar o celular de forma segura e reduzir a contaminação?

Para reduzir o papel do celular como "fábrica de germes", pesquisadores e profissionais de saúde recomendam uma rotina básica de cuidados. A orientação geral é manter a higienização das mãos associada à limpeza regular do aparelho, sempre respeitando as indicações do fabricante.

  1. Lavar as mãos com frequência: usar água e sabão, principalmente após ir ao banheiro, utilizar transporte público ou manusear lixo.
  2. Evitar o celular no banheiro: deixar o aparelho fora do ambiente sanitário sempre que possível.
  3. Limpar o telefone regularmente: utilizar pano macio levemente umedecido com solução à base de álcool isopropílico, conforme recomendação de muitos fabricantes.
  4. Não compartilhar o aparelho: reduzir o empréstimo do celular, sobretudo em ambientes com grande circulação de pessoas.
  5. Não colocar o aparelho sobre superfícies sujas: evitar apoiá-lo em pias, mesas de banheiros, corrimãos e balcões públicos.

Profissionais de controle de infecções reforçam que a higienização do celular não substitui a lavagem das mãos, mas funciona como medida complementar importante. Manter capinhas e películas limpas, evitar o uso do aparelho durante refeições e adotar produtos adequados para desinfecção ajudam a diminuir a carga microbiana. Dessa forma, o telefone continua cumprindo seu papel de ferramenta de comunicação, com menor potencial de atuar como ponto de disseminação de germes no dia a dia.

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