Embora o banho gelado alivie temporariamente o inchaço e o peso nas pernas por meio da vasoconstrição, ele não cura problemas venosos como varizes e trombose, servindo apenas como alívio de sintomas. O cirurgião vascular Herik Oliveira alerta que o choque térmico pode ser perigoso para cardiopatas e hipertensos, pois eleva a pressão e sobrecarrega o coração. Pacientes com problemas arteriais também devem evitar a prática e sempre buscar orientação médica diante de desconfortos persistentes.
O hábito de tomar banho gelado tem ganhado popularidade sob a promessa de revitalizar a saúde, acelerar o metabolismo e melhorar a circulação sanguínea. No entanto, o cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira alerta que, embora a água fria traga um alívio temporário para o inchaço e a sensação de peso nas pernas, a prática está longe de ser um tratamento para doenças venosas graves, além de oferecer riscos para determinados grupos de pacientes.
De acordo com o médico, a sensação imediata de leveza ocorre devido a uma resposta fisiológica do próprio organismo ao frio. "O banho gelado melhora a circulação porque a água gelada em contato com a pele estimula os vasos sanguíneos superficiais a um processo de vasoconstrição. Com isso, o sangue é direcionado para os órgãos internos para manter a temperatura corporal, estimulando o fluxo sanguíneo", explica o Dr. Herik Oliveira.
Alívio sintomático x Tratamento definitivo
O especialista destaca que esse efeito atua diretamente nos membros inferiores, onde o acúmulo de líquidos costuma provocar desconforto ao final do dia. "O frio provoca uma vasoconstrição nos vasos sanguíneos, principalmente dos membros inferiores, e isso melhora a contração venosa de forma momentânea, reduzindo o extravasamento de líquido e diminuindo temporariamente o inchaço e a sensação de peso nas pernas, além da fadiga acumulada ao longo do dia", pontua.
Entretanto, o cirurgião vascular reforça que é preciso alinhar as expectativas e não substituir o acompanhamento médico por terapias caseiras. "É importante ressaltar que o frio não cura doenças venosas como varizes e trombose. Ele bloqueia temporariamente as terminações nervosas, trazendo um efeito anestésico que melhora a dor e alivia o desconforto, mas sem tratar a causa da doença. No caso das varizes, estamos falando de veias dilatadas, tortuosas e alongadas; já na trombose, ocorre a formação de um trombo no interior do vaso que interrompe a passagem de sangue", alerta o especialista.
Choque térmico e riscos cardiovasculares
Se por um lado o alívio temporário é atrativo, por outro, a exposição brusca à água gelada exige cautela redobrada em pessoas com diagnósticos prévios. O choque térmico estimula a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina, sobrecarregando o sistema cardiovascular.
"O primeiro grande risco é o aumento rápido da pressão arterial. A água fria provoca vasoconstrição e isso eleva a pressão de forma repentina, o que representa um perigo para pessoas com hipertensão não controlada", orienta o cirurgião vascular. "Em pacientes cardiopatas, o estresse do choque térmico aumenta a frequência e a força dos batimentos do coração para manter a temperatura corporal, o que pode desencadear arritmias e reduzir o fluxo sanguíneo para as artérias coronárias."
O alerta se estende também a indivíduos com Doença Arterial Periférica ou Fenômeno de Raynaud. Nesses casos, a vasoconstrição provocada pelo frio intensifica a restrição da passagem de sangue, podendo ocasionar dor intensa, diminuição da temperatura local e coloração arroxeada nas extremidades dos dedos.
Sinais de alerta: quando evitar o frio
O Dr. Herik Oliveira enumera os principais sintomas que indicam que a pessoa deve interromper imediatamente a exposição a temperaturas muito baixas:
- Mudanças circulatórias e dermatológicas: extremidades dos dedos que ficam esbranquiçadas, azuladas, arroxeadas ou avermelhadas, acompanhadas de pele fria, dormência, lesões tipo urticária ou bolhas;
- Sintomas cardiovasculares e respiratórios: dor ou aperto no peito, falta de ar e chiado na respiração causados por broncoespasmo (especialmente em portadores de asma, bronquite ou DPOC);
- Sinais de hipotermia: perda rápida de calor com queda drástica da temperatura corporal e cessação dos tremores involuntários;
- Sintomas sistêmicos crônicos: intolerância constante ao frio associada a cansaço excessivo, queda de cabelo, ganho de peso inexplicável e pele muito seca.
"Diante de qualquer sintoma persistente nas pernas ou alteração na circulação, a recomendação essencial é procurar um especialista para o diagnóstico correto e o tratamento adequado", finaliza o cirurgião vascular.