5 ervas são estudadas contra a ansiedade e resultados encontrados pela ciência chamam atenção

Camomila, lavanda, valeriana, passiflora e kava são usadas para ansiedade, mas evidências, doses e riscos variam entre cada preparação.

25 set 2026 - 22h04
(atualizado às 22h05)
Resumo
Estudos sobre camomila, lavanda, passiflora, valeriana e kava para combater a ansiedade mostram potenciais benefícios, mas exigem cautela. As evidências variam conforme doses e preparos, sem substituir terapias convencionais. Há riscos de interações medicamentosas e efeitos adversos graves, como lesões hepáticas associadas à kava. Especialistas alertam que produtos naturais não são isentos de perigo, devendo-se priorizar a orientação médica antes de iniciar o uso ou suspender tratamentos.

Uma xícara de camomila antes de dormir parece um gesto simples. Na mesma busca aparecem cápsulas de lavanda, passiflora, valeriana e kava, todas anunciadas como 'naturais' para ansiedade. Só que estudos usam preparações, doses e participantes diferentes, e uma das plantas tem alerta importante de segurança. Cinco nomes numa lista não são cinco tratamentos equivalentes. Antes de trocar cuidado profissional por um produto, vale entender o que foi estudado, quão consistente é o resultado e que riscos entram na conta.

Camomila, lavanda e outras plantas possuem evidências muito diferentes.
Camomila, lavanda e outras plantas possuem evidências muito diferentes.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Camomila e lavanda têm resultados iguais?

Há estudos pequenos sobre extratos de camomila para sintomas de ansiedade, com resultados que despertam interesse, mas ainda com limitações para uma recomendação ampla. Lavanda também foi estudada em diferentes formas, inclusive preparações orais padronizadas; sentir o cheiro de uma planta e tomar uma cápsula específica não são intervenções intercambiáveis. A palavra 'lavanda' no rótulo não reproduz automaticamente o protocolo de um ensaio.

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Chás comuns podem integrar um ritual de descanso para algumas pessoas, sem funcionar como tratamento suficiente de transtornos de ansiedade. Resultados de pesquisas precisam considerar duração, comparação com placebo e efeitos adversos. Se a ansiedade atrapalha trabalho, sono ou relações, é importante buscar avaliação e não se limitar à bebida escolhida na prateleira.

Algumas ervas podem interagir com medicamentos ou causar efeitos importantes.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

E passiflora e valeriana?

A passiflora aparece em estudos de ansiedade, mas a quantidade e a qualidade das evidências ainda não permitem promessas firmes. A valeriana é mais lembrada por pesquisas sobre sono; usar esse interesse para afirmar que trata ansiedade extrapola os dados. Preparações comerciais variam em composição, e misturar várias plantas torna difícil saber o que está causando benefício, sonolência ou outro efeito.

A popularidade de plantas procuradas para ansiedade explica o interesse no tema, mas o termo 'natural' não dispensa olhar para a evidência de cada produto. A decisão fica ainda mais sensível para gestantes, pessoas com doenças crônicas ou quem usa remédios que provocam sedação.

  • Diferencie chá, óleo aromático e extrato oral estudado.
  • Confira medicamentos, doenças do fígado e outras condições.
  • Não misture produtos sedativos nem interrompa tratamento prescrito.
  • Busque ajuda quando a ansiedade limita sono, trabalho ou relações.

Por que a kava pede atenção especial?

Kava foi investigada em estudos de ansiedade e pode apresentar resultados para alguns desfechos, mas há relatos de lesão hepática associados a produtos que a contêm. A existência de benefício potencial não apaga esse alerta. Quem já tem doença do fígado ou toma medicamentos precisa de cuidado adicional e avaliação profissional antes de considerar qualquer produto; automedicação e mistura com álcool aumentam preocupações.

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A forma de preparo e a qualidade do produto também importam, o que complica comparações entre pesquisas e itens vendidos ao público. Não há uma recomendação segura de 'chá de kava para todos' derivada de estudos heterogêneos. Se uma pessoa apresenta sinais como pele amarelada, urina escura ou mal-estar após usar um produto, deve procurar atendimento e informar exatamente o que tomou.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Neurologia e Psiquiatria, que fala sobre evidência e limites da camomila para ansiedade:

Ervas podem interagir com medicamentos?

Podem. Efeitos sedativos, mudanças na metabolização de remédios e riscos em condições específicas dependem da planta, da dose e da preparação. Pessoas que usam ansiolíticos, antidepressivos, anticoagulantes ou outros medicamentos devem levar a lista completa de produtos ao profissional de saúde. Suspender remédio prescrito para testar uma planta sem orientação pode trazer prejuízos.

A pesquisa sobre práticas complementares distingue cuidado de apoio e substituição de tratamento. Terapia, avaliação médica e estratégias de sono ou manejo de estresse podem ser relevantes conforme a gravidade. Nenhuma folha seca garante melhora equivalente a um tratamento individualizado. A própria escolha de uma planta deve partir de informação sobre risco, não apenas do relato de um conhecido.

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Como usar a curiosidade a seu favor?

Se a ansiedade é leve e ocasional, observe o que a desencadeia, como dorme e que mudanças na rotina podem ajudar. Se os sintomas são frequentes ou limitam a vida, procure cuidado profissional. Caso considere um produto herbal, leve o nome, a composição e os medicamentos em uso para discutir segurança e benefício provável, sem esperar que cinco opções da lista funcionem do mesmo jeito.

A pesquisa sobre camomila, lavanda, passiflora, valeriana e kava continua, mas as perguntas úteis já estão claras: qual preparação foi testada, em quem, por quanto tempo e com que risco? A xícara pode continuar agradável. Ela só não deve esconder uma ansiedade que precisa de atenção nem fazer parecer inocente um produto capaz de causar dano.

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