Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center com a Nexus revela que 49% das brasileiras não praticam atividades físicas e 65% apresentam excesso de peso, taxas superiores às dos homens. Divulgado na campanha Setembro em Flor, o estudo alerta para a relação entre sedentarismo, obesidade, tabagismo e o risco de tumores ginecológicos, que afetam 30 mil mulheres anualmente no país. Especialistas reforçam que a prevenção exige hábitos saudáveis, vacinação contra o HPV e exames de rastreamento frequentes.
A prática de atividade física ainda não faz parte da rotina de muitas mulheres brasileiras. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. Segundo o levantamento, 49% das mulheres entrevistadas afirmaram nunca praticar atividade física.
O estudo ouviu 2.015 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. A pesquisa foi realizada presencialmente nas 27 unidades da Federação e analisou diferentes hábitos relacionados à saúde.
Entre os homens entrevistados, o percentual dos que afirmaram nunca praticar atividade física foi de 35%.
Excesso de peso também aparece entre as mulheres
Outro dado chama atenção no levantamento. Entre as mulheres participantes, 65% apresentaram IMC acima da faixa considerada adequada. Desse total, 37% estavam na faixa de sobrepeso e 28% na de obesidade.
Entre os homens, 59% estavam acima da faixa considerada adequada.
Apesar dos números, a pesquisa não avaliou uma relação direta entre os hábitos identificados e a ocorrência de câncer. A associação entre excesso de peso, sedentarismo e determinados tipos de tumores é apontada pela literatura médica.
No caso do câncer de endométrio, por exemplo, o tecido adiposo pode contribuir para uma maior produção de estrogênio, hormônio relacionado ao desenvolvimento da doença.
Hábitos também entram na prevenção
Os dados foram divulgados no contexto do Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os tumores ginecológicos, que destaca a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 30 mil mulheres brasileiras recebem, todos os anos, o diagnóstico de algum tipo de tumor ginecológico.
Além da atividade física e dos cuidados relacionados ao peso, a prevenção também envolve vacinação contra o HPV e a realização dos exames de rastreamento indicados para cada faixa etária.
O câncer do colo do útero, por exemplo, está relacionado à infecção persistente pelo HPV. Por isso, a vacinação e o rastreamento são considerados medidas importantes para reduzir riscos e favorecer o diagnóstico precoce.
O tabagismo também aparece como um ponto de atenção. Na pesquisa, 17% dos entrevistados afirmaram ser fumantes ativos, enquanto 33% relataram exposição ao fumo passivo. Segundo a literatura médica, a fumaça do cigarro pode interferir na resposta do organismo ao HPV e dificultar sua eliminação.
Para o Dr. Glauco Baiocchi Neto, Líder do Centro de Referência em Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo Cancer Center, a prevenção precisa ir além dos exames de rastreamento.
Vacinação e acompanhamento periódico continuam sendo fundamentais, mas fatores como excesso de peso, sedentarismo e tabagismo também merecem atenção por sua associação com mecanismos relacionados ao câncer.
A pesquisa reforça, portanto, a importância de olhar para a saúde de forma ampla. Não existe uma única medida capaz de prevenir todos os tumores ginecológicos, e os cuidados devem envolver acompanhamento médico e hábitos de vida saudáveis.