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Por que 28 de abril é o Dia da Educação e o que (ainda) precisamos aprender?

Neste 28 de abril, refletimos sobre o papel vital da educação e a essencial valorização do professor como agentes de transformação, debatendo os desafios de um ensino que precisa, antes de tudo, provocar para construir

28 abr 2026 - 08h36

Comemorar o Dia da Educação, celebrado em 28 de abril, é um exercício que exige mais do que celebração; requer uma profunda reflexão sobre o que estamos construindo como sociedade. A data, que marca o encerramento do Fórum Mundial de Educação realizado em Dakar, no Senegal, em 2000, nasceu do compromisso de 164 nações — entre elas o Brasil — em universalizar o ensino básico e erradicar o analfabetismo.

Dia da Educação: o que ainda temos que aprender?
Dia da Educação: o que ainda temos que aprender?
Foto: Canva / Bons Fluidos

Dia da Educação: reflexões sobre o Brasil

Contudo, ao olharmos para o cenário brasileiro atual, essa comemoração ganha contornos de urgência e inconformismo. Como bem define o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, "se a educação não for provocativa, não constrói, não se cria, não se inventa, só se repete". E é exatamente essa provocação que o Brasil precisa encarar de frente, especialmente ao observarmos dados preocupantes, como o fato de que apenas 4,5% dos estudantes do ensino médio público saem da escola com a aprendizagem adequada em português e matemática, um quadro de estagnação que perdura há mais de uma década.

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Nesse contexto de desafios estruturais e educacionais, a figura do professor torna-se o pilar central e o agente de transformação indispensável. Valorizar o educador não é apenas uma questão salarial ou de reconhecimento de carreira, mas um ato de inteligência coletiva e de respeito à dignidade humana. O papel do professor, segundo a visão de Cortella, é complexo e exige um equilíbrio constante, pois educar é um processo que envolve "elogiar, mas também avaliar". O educador contemporâneo precisa, mais do que nunca, ter a capacidade de lidar com o novo, incorporando as transformações tecnológicas e as novas linguagens que permeiam a vida dos estudantes, sem jamais perder de vista a essência humana do aprendizado.

O nobre ato de educar

A educação, em sua forma mais nobre, deve ser alicerçada na ética e na convivência social, fundamentada num amor que, nas palavras do filósofo, significa "cuidar, respeitar e promover a dignidade". É essa dignidade que precisa ser resgatada dentro das salas de aula, transformando a escola não apenas em um local de transmissão de conteúdos, mas em um espaço vibrante de cidadania, onde a curiosidade é estimulada e a mediocridade é combatida. Diante das dificuldades que o Brasil enfrenta, a filosofia de Cortella oferece um alento e um guia de conduta para os professores que, muitas vezes, trabalham em condições precárias: "Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda".

Essa máxima resume a resiliência do docente brasileiro e a necessidade de encarar o Dia da Educação como um lembrete de que o ensino é a ferramenta mais potente de transformação social que possuímos. Se o objetivo do Fórum de Dakar era garantir o acesso, o desafio brasileiro do século XXI é garantir a qualidade e a profundidade. Precisamos parar de repetir fórmulas que já não funcionam e passar a criar, a inventar e a provocar, como sugere Cortella.

A educação é, em última análise, um ato de esperança e de construção de futuro. Portanto, celebrar esta data é reconhecer que, embora o caminho seja longo e os números atuais sejam um reflexo de um longo período de estagnação, a educação permanece sendo a única via possível para a emancipação de um povo, a consolidação da democracia e a construção de uma sociedade que saiba, verdadeiramente, cuidar e promover a dignidade de todos os seus cidadãos.

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