Copa do Mundo, fogos e ansiedade: veja como proteger os cães durante as comemorações

Especialista compartilha dicas para garantir mais conforto, segurança e tranquilidade aos pets durante os dias de jogos

3 jun 2026 - 18h00

Com a aproximação da Copa do Mundo, muitas famílias começam a se preparar para reuniões, festas e comemorações marcadas por fogos de artifício, buzinas, gritos e música alta. No entanto, toda essa agitação pode impactar diretamente os cães, especialmente porque eles são muito mais sensíveis a sons intensos e mudanças na rotina.

Casos de ansiedade e medo em cães tendem a aumentar durante períodos como a Copa do Mundo
Casos de ansiedade e medo em cães tendem a aumentar durante períodos como a Copa do Mundo
Foto: Ciceia Almeida | Shutterstock / Portal EdiCase

O estudo recente "Owner-reported prevalence and severity of fear and anxiety in dogs", publicado na revista científica Veterinary Research Communications, revelou que mais de 84% dos cães apresentam sinais de medo ou ansiedade em situações cotidianas. Durante períodos de grandes comemorações, como a Copa do Mundo, esses quadros tendem a se intensificar devido ao excesso de barulho, à movimentação diferente dentro de casa e até à alteração nos horários habituais.

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Segundo Cleber Santos, especialista em comportamento animal e CEO do Grupo ComportPet, a audição canina é muito mais sensível do que a humana, fazendo com que sons imprevisíveis sejam interpretados como ameaça constante. "A casa muda, os sons mudam, a energia das pessoas muda. O cão não entende o que está acontecendo e entra em estado contínuo de alerta. Em muitos casos, ele começa a sofrer antes mesmo do barulho acontecer", explica.

Para minimizar os impactos emocionais causados pelos fogos, buzinas e mudanças na rotina durante a Copa do Mundo, o especialista compartilha 4 orientações que podem ajudar tutores a oferecer mais conforto, segurança e tranquilidade aos cães nos dias de jogos e comemorações. Confira!

1. Prepare o ambiente da casa

Preparar a casa para reduzir os estímulos sonoros é uma das medidas mais eficazes para ajudar os cães a enfrentarem os momentos de maior agitação. Pequenas adaptações no ambiente podem proporcionar mais sensação de segurança e diminuir o impacto dos ruídos causados por fogos, buzinas e comemorações.

"Quando falamos de ansiedade sonora, qualquer estratégia que ajude a reduzir a intensidade dos estímulos externos pode contribuir bastante para o conforto emocional do animal. Ventiladores, televisão ligada, música ambiente e até musicoterapia calmante ajudam a criar uma barreira sonora e tornam o ambiente menos ameaçador para o cão durante os jogos e comemorações. Além disso, manter objetos familiares e um espaço mais protegido ajuda o animal a sentir que possui um local seguro para se refugiar", diz Cleber Santos.

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2. Gaste energia física e mental do pet

Manter o pet física e mentalmente estimulado ao longo do dia pode fazer toda a diferença na forma como ele reage aos momentos de estresse. "Muitos tutores focam apenas o momento do barulho, mas esquecem que o estado emocional do animal começa a ser construído ao longo do dia", alerta o especialista.

Segundo ele, cães que tiveram a rotina preenchida com atividades físicas, brincadeiras, passeios e estímulos mentais costumam estar mais relaxados e preparados emocionalmente para enfrentar situações que geram estresse. "Já um animal que passou o dia inteiro acumulando energia pode reagir de forma muito mais intensa aos fogos, buzinas e movimentações da casa", diz.

Dois homens, sentados no chão e assistindo futebol, cachorro sentado no sofá ao lado
Foto: Portal EdiCase

Forçar o cachorro a permanecer próximo dos barulhos ou expô-lo repetidamente aos estímulos pode acabar agravando a ansiedade (Imagem: LightField Studios | Shutterstock)

3. Evite erros que aumentam o medo

Segundo Cleber Santos, comportamentos como obrigar o cão a permanecer próximo dos barulhos ou expô-lo repetidamente aos estímulos podem acabar agravando a ansiedade. "O medo não desaparece por meio do susto. Quando o tutor força o animal a enfrentar uma situação para a qual ele não está emocionalmente preparado, o cérebro interpreta aquilo como uma ameaça ainda maior. Isso pode aumentar quadros de ansiedade, insegurança e até gerar traumas permanentes relacionados a sons altos. Ansiedade sonora não é manha ou exagero. É uma resposta emocional real do organismo diante de algo que o animal percebe como perigo", explica.

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4. Avalie ambientes especializados durante os jogos

Em situações de grande movimentação e barulho, alguns cães podem precisar de um suporte extra para passar pelo período com mais tranquilidade. Nesses casos, espaços preparados para receber pets podem oferecer uma alternativa segura e confortável tanto para os animais quanto para seus tutores.

"Muitas vezes, o tutor não consegue aproveitar a comemoração porque passa o tempo inteiro tentando controlar a ansiedade do cão. O animal sofre, a família fica tensa e ninguém consegue curtir o momento de forma tranquila. Em alguns casos, um ambiente especializado acaba sendo a decisão mais responsável, porque oferece rotina controlada, redução de estímulos, acompanhamento profissional e muito mais segurança física e emocional para o pet durante períodos de grande movimentação", pontua Cleber Santos.

A mudança comportamental é possível

Segundo Cleber Santos, um dos principais erros dos tutores é acreditar que existe uma solução rápida para um problema emocional construído ao longo da vida do animal. "O comportamento do pet não muda de um dia para o outro. Não existe uma dica milagrosa que vai resolver um cão ansioso em uma semana. O que conseguimos fazer agora é amenizar o sofrimento e reduzir os riscos. A verdadeira mudança comportamental precisa de preparação, repetição e tempo", afirma.

Por Ana Karoline

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