Como os castores beneficiam a natureza

Em diferentes regiões do hemisfério Norte, pequenos mamíferos peludos modificam rios inteiros há milhares de anos. Esses animais são os castores, conhecidos pelo hábito de cortar árvores e acumular galhos na água. Pesquisas recentes mostram que nenhuma outra espécie muda tanto os cursos de água quanto eles, em extensão e intensidade. Cientistas de universidades na […]

19 jan 2026 - 10h31

Em diferentes regiões do hemisfério Norte, pequenos mamíferos peludos modificam rios inteiros há milhares de anos. Esses animais são os castores, conhecidos pelo hábito de cortar árvores e acumular galhos na água. Pesquisas recentes mostram que nenhuma outra espécie muda tanto os cursos de água quanto eles, em extensão e intensidade.

Cientistas de universidades na América do Norte e na Europa monitoram essas transformações com drones, imagens de satélite e medições de campo. Eles observam que, em poucos anos, um vale estreito pode virar um mosaico de lagoas, canais e brejos. Assim, o antigo leito do rio perde a forma linear e passa a seguir caminhos mais lentos, tortuosos e rasos.

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Castor – depositphotos.com / Rostovdriver
Castor – depositphotos.com / Rostovdriver
Foto: Giro 10

Como os castores constroem represas e mudam rios

O castor não apenas aproveita a água disponível. Ele reorganiza o ambiente de forma ativa e contínua. Primeiro, escolhe trechos em que o fluxo parece moderado e as margens trazem árvores flexíveis, como salgueiros e álamos. Em seguida, derruba troncos e arrasta ramos até o leito, onde encaixa o material contra a corrente.

Essas estruturas formam uma barreira densa. A água acumula galhos, folhas e sedimentos e, gradualmente, a represa ganha altura e largura. Portanto, o fluxo antes livre passa a se espalhar para os lados e invade áreas mais baixas. Esse processo cria uma sequência de poças e braços d'água em torno da barragem principal.

Além disso, muitos castores abrem canais laterais para transportar madeira com mais facilidade. Esses canais desviam parte da água e se tornam caminhos permanentes. Assim, o rio original perde volume em alguns trechos e ganha novos contornos em outros. Pesquisadores chamam esse conjunto de intervenções de "engenharia ecológica" espontânea.

Por que os castores lideram a mudança de cursos de água?

Estudos hidrológicos indicam que os castores criam redes complexas de represas, lagos e canais ao longo de vários quilômetros. Cada família pode erguer dezenas de pequenas barragens em um único vale. Como resultado, a paisagem hídrica muda em escala de bacia, não apenas em um ponto isolado.

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Outros animais também alteram cursos de água, mas em padrões diferentes. Elefantes, por exemplo, abrem trilhas até poças e rios. Muitas vezes, eles cavocam o solo em áreas secas e liberam água subterrânea. Hipopótamos, por sua vez, cavam canais rasos enquanto se deslocam entre lagos e rios. No entanto, essas espécies raramente criam barragens duradouras.

Os castores se destacam porque produzem estruturas físicas estáveis, que resistem por anos, mesmo após o abandono. Além disso, eles constroem e reconstroem as represas durante toda a vida. Assim, influenciam o fluxo em todas as estações. Em conjunto, essas ações acumuladas levam a desvios reais de leitos, formação de meandros e até criação de novos corredores fluviais.

Quais são os efeitos ecológicos das lagoas dos castores?

À medida que a água desacelera atrás das represas, sedimentos se depositam no fundo. O que antes seguia rapidamente rio abaixo passa a preencher lagoas rasas. Com o tempo, esse material cria solos ricos em matéria orgânica. Portanto, plantas aquáticas e de brejo encontram condições favoráveis e se multiplicam.

Essas novas áreas alagadas atraem anfíbios, aves aquáticas, peixes e insetos. Estudos mostram que zonas com represas de castores abrigam maior diversidade de espécies do que trechos de rios sem intervenção. Muitos peixes aproveitam a água mais calma para se reproduzir e crescer, antes de seguir corrente abaixo.

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O impacto também se estende ao clima local. As lagoas armazenam água durante chuvas intensas e liberam o excesso de forma gradual. Assim, elas reduzem picos de cheias em áreas a jusante. Em períodos secos, esses reservatórios mantêm um fluxo mínimo constante. Hidrólogos observam que bacias com castores tendem a registrar secas menos severas.

Impactos de longo prazo na paisagem e comparação com outros animais

Ao longo de décadas, a sucessão ecológica transforma lagoas em brejos e, depois, em clareiras úmidas. As antigas represas se degradam, mas deixam vales mais largos e planos. Esses espaços guardam água no solo e favorecem o surgimento de novos cursos menores. Assim, o desenho original do rio se torna quase irreconhecível.

Elefantes, por outro lado, influenciam o regime hídrico de forma mais pontual. Eles derrubam árvores próximas a cursos de água, pisoteiam margens e ampliam poças. Esse comportamento altera a infiltração e a erosão, porém não cria redes estáveis de lagos e canais. Após a saída dos animais, muitos desses efeitos se dispersam com as primeiras cheias fortes.

Castores, em contraste, agem como agentes de retenção contínua. Eles empilham madeira, ajustam frestas e reforçam diques sempre que a água escapa com força maior. Em consequência, rios que antes corriam em vales estreitos passam a se dividir em vários braços. Esse padrão se mantém mesmo quando a população de castores diminui, porque as estruturas continuam em pé por longos períodos.

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Principais consequências da engenharia dos castores

Cientistas resumem os impactos dos castores sobre a água e o ambiente em alguns pontos centrais:

  • Redução da velocidade da água, com menor erosão nas margens.
  • Formação de lagoas e brejos, que aumentam a biodiversidade local.
  • Armazenamento de água, o que suaviza cheias e secas.
  • Acúmulo de sedimentos e carbono nos solos alagados.
  • Desvio de leitos e criação de canais, que redesenham o curso dos rios.

Por tudo isso, equipes de restauração ecológica em países como Canadá, Estados Unidos e Reino Unido já incorporam castores em projetos de manejo de água. Elas instalam estruturas que imitam represas naturais e acompanham a recolonização desses animais. Dessa forma, aproveitam um engenheiro ambiental que atua sem máquinas e sem energia externa, mas com efeito prolongado sobre cursos de água inteiros.

Castor – depositphotos.com / TSpider
Foto: Giro 10
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