A maternidade é uma fase de transformações profundas que, quando somada a transtornos mentais, torna os desafios diários ainda mais complexos. A rotina com um bebê é marcada pela imprevisibilidade e pelo excesso de estímulos, o que pode sobrecarregar especialmente mulheres com maior sensibilidade sensorial. Segundo o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra do CEJAM, fatores como oscilações hormonais, privação de sono e pressão constante têm o poder de agravar sintomas que já existiam antes da gestação.
Sinais de alerta que não podem ser ignorados
O especialista alerta que sinais como irritabilidade intensa, desorganização e isolamento não devem ser ignorados. "Quando esses sintomas começam a interferir no autocuidado ou no cuidado com o bebê, é fundamental procurar uma avaliação psiquiátrica", orienta Lancelote. Muitas mães sofrem pela tentativa exaustiva de alcançar um ideal social de perfeição, o que a psicóloga Ana Paula Hirakawa descreve como um fator crítico de esgotamento.
A pressão para tentar ser a "mãe perfeita"
Para Ana Paula, o cansaço sentido por essas mulheres não é comum, mas um esgotamento real que drena toda a energia vital. "A mãe com um transtorno mental esgota sua energia tentando performar a 'maternidade padrão' esperada pela sociedade", afirma a psicóloga. Esse esforço constante pode levar a reações extremas ou ao que os especialistas chamam de apagões emocionais, onde a mulher perde a capacidade de reagir às demandas.
O papel do diagnóstico no combate à culpa
Dados da Fiocruz revelam que cerca de 25% das mães no Brasil apresentam sofrimento psíquico no pós-parto, impulsionado pela falta de apoio. O diagnóstico correto surge como uma ferramenta para aliviar a culpa, permitindo que a mulher diferencie sua condição médica das exigências externas. Integrar o acompanhamento mental ao físico desde o pré-natal é a estratégia defendida pelo CEJAM para garantir que quem cuida também receba o amparo necessário.