A maternidade costuma ser retratada como um período de felicidade imediata e conexão instantânea entre mãe e bebê. Na vida real, porém, a experiência pode ser muito mais complexa. Em uma conversa franca, a atriz Letícia Colin compartilhou lembranças delicadas dos primeiros meses após o nascimento do filho, Uri, hoje com 6 anos, e revelou que acredita ter enfrentado um quadro de depressão pós-parto que nunca chegou a ser diagnosticado.
A artista contou que viveu esse momento em meio à pandemia de Covid-19, contexto que intensificou sentimentos de isolamento, insegurança e sobrecarga emocional.
Quando a maternidade não acontece da forma que imaginamos
Durante participação no podcast Mil e Uma Tretas, Letícia relembrou que o puerpério foi, para ela, uma das fases mais desafiadoras da vida. "Acho que eu tive uma depressão que eu não diagnostiquei, era pandemia, tudo junto. Quando eu olho para trás eu penso: 'Gente, acho que eu não estava bem'", avaliou.
O relato da atriz ajuda a jogar luz sobre uma realidade vivida por muitas mulheres. Nem sempre os sintomas da depressão pós-parto são facilmente identificados, especialmente quando surgem em meio às transformações físicas, emocionais e hormonais típicas do período.
O sentimento de estar presente, mas desconectada
Além da tristeza e do cansaço, Letícia descreveu uma sensação difícil de explicar: a impressão de não pertencer completamente à própria realidade. Segundo a atriz, por muito tempo conviveu com uma espécie de desconexão emocional, como se estivesse vivendo aquele momento sem conseguir se sentir verdadeiramente presente nele.
Esse tipo de relato é comum entre mulheres que enfrentam sofrimento psíquico no pós-parto. Algumas descrevem a experiência como um estado de anestesia emocional, estranhamento ou dificuldade de reconhecer a própria identidade diante das mudanças trazidas pela maternidade.
Como a comunicação fortaleceu o vínculo com o filho
Com o passar dos anos, Letícia percebeu que a relação com Uri foi se transformando gradualmente. Para ela, a comunicação teve um papel fundamental nesse processo. "Era uma coisa louca, uma dissociação, mas depois foi ficando mais fácil", afirmou.
A atriz explicou que as trocas cotidianas se tornaram mais significativas quando o filho começou a falar e expressar seus sentimentos de forma mais clara. "Por conta dessa identidade da troca, quando ele começou a oralizar e a falar. E o Uri fala muito bem desde sempre, fala sempre umas palavras articuladas", disse, orgulhosa.
A maternidade também nasce aos poucos
Durante a conversa, surgiu uma reflexão importante: a ideia de que o nascimento de um bebê não significa, necessariamente, o nascimento instantâneo de uma mãe emocionalmente pronta.
Letícia concordou que a maternidade é uma construção contínua, feita de experiências, descobertas e adaptações diárias. Para ela, ouvir o filho chamá-la de mãe e desenvolver uma linguagem própria entre os dois foi essencial para fortalecer o vínculo que buscava desde o início. "O código da língua é muito forte, quando a pessoa fala o seu nome e te chama de mãe", concluiu.
Falar sobre saúde mental materna é um ato de cuidado
Ao compartilhar sua experiência, Letícia Colin contribui para uma conversa cada vez mais necessária sobre os desafios emocionais do pós-parto. Embora a maternidade possa ser repleta de amor e momentos marcantes, ela também pode trazer sentimentos ambíguos, inseguranças e sofrimento psicológico.
Reconhecer essas vivências sem culpa ou julgamento é um passo importante para que mais mulheres encontrem acolhimento, apoio e acesso aos cuidados de saúde mental de que precisam. Afinal, assim como os filhos crescem aos poucos, muitas vezes a identidade materna também se constrói dia após dia.