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Júlia Portes fala de Bianca, de Emergência Radioativa

"Revisitar essa história é também uma forma de perguntar: o que mudou desde então? E o que ainda precisa mudar? Tem muita coisa pra mudar."

23 abr 2026 - 13h33

Além de dar vida à Bianca no sucesso da Netflix Emergência Radioativa, a atriz também é escritora e se prepara para adaptar seu livro no cinema

Júlia Portes vive um momento de expansão na carreira. A atriz integra o elenco da série de sucesso da Netflix Emergência Radioativa, uma história baseada em um caso verídico: o acidente com o césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. Fora das telas, ela também colhe os frutos de sua trajetória na literatura, com um livro premiado a caminho de se tornar uma obra cinematográfica.

Fotógrafa: Elisa Maciel Styling: Paloma Borges Beleza: Victor Dargains
Fotógrafa: Elisa Maciel Styling: Paloma Borges Beleza: Victor Dargains
Foto: Revista Malu

Responsabilidade

A construção de Bianca foi carregada de pesquisa e entrega. "Criei um meu diário de bordo da personagem para poder inventar o que não estava dito no roteiro, e isso foi muito importante para trazer as camadas e nuances de Bianca. Além disso, eu também assisti tudo que estava disponível sobre o caso do Césio 137. Eu e Johnny [Massaro] improvisamos muito o passado das personagens ao longo da preparação", conta em entrevista exclusiva.

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Troca em cena

Por falar em Johnny Massaro, a parceria foi um ponto-chave para dar vida à trama. "O Johnny é um ator que eu sempre admirei. Desde que eu soube que seria ele meu parceiro de cena, fiquei feliz, porque sabia que ia dar caldo. Ele é muito dedicado, experiente, sensível, cuidadoso. Construímos rápido uma intimidade para que pudéssemos jogar e brincar através das personagens, mesmo num contexto tão sério. Ele me deixou muito à vontade desde o primeiro momento."

Peso emocional

Júlia atribui ao teatro a forma como ela conseguiu se preparar emocionalmente para mergulhar no universo de uma das tragédias mais marcantes da história brasileira. "O fato de ter vindo do teatro me ensinou a ter muito respeito por cada história que está sendo contada. E também a mergulhar nos contextos, na circunstância, a gostar de jogar com os atores, permitir que a forma como outro age interfira imediatamente na minha ação, construir junto", diz.

Memória necessária

"Falar sobre o caso do Césio-137 hoje é uma forma de não deixar que essa história seja esquecida ou simplificada", afirma a atriz quando perguntamos qual a importância da série para a sociedade. Mais do que revisitar o passado, a atriz acredita que a série cumpre um papel social importante. "Foi uma tragédia que expôs não só os riscos de um material altamente perigoso fora de controle, mas também desigualdades sociais, desinformação e abandono", completa.

Escritora

Além de atriz, Júlia é escritora. Inclusive, seu livro, O céu no meio da cara — adaptado para o teatro no Rio de Janeiro — agora ganhará versão cinematográfica, ainda sem data de estreia. "Adoro quando um trabalho se desdobra em uma galeria de outros trabalhos."

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O livro aborda a relação mãe, filha e avó, o medo da morte e o confronto com esse medo. Para ela, ver a história se desdobrando em outras linguagens permite que a cada hora ela descubra algo novo sobre os temas, os personagens e "quando a gente olha por muito tempo pra alguma coisa, a coisa nos olha de volta, o que torna o processo profundo, infinito".

Para o futuro

Entre parcerias criativas e novos projetos, ela não esconde o desejo de ampliar horizontes. "Quero continuar atuando e escrevendo, e que meu trabalho tenha mais alcance. Criar espaço para contar as histórias em que acredito", diz. "Esse ano ainda vou lançar A Casa do Pai, curta-metragem escrito pela atriz Joana Kannenberg e dirigido pelo ator e diretor Patrick Sampaio. O curta conta uma história tensa e bonita. E ano que vem sai meu segundo romance pela Editora Fósforo", conclui Júlia.

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