Whey protein e creatina para crianças: pediatras fazem alerta sobre o uso

A Sociedade Brasileira de Pediatria acende o sinal vermelho: whey protein e creatina podem fazer mal para crianças e adolescentes saudáveis. Entenda os riscos da suplementação.

8 mai 2026 - 13h06

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um documento oficial alertando sobre os riscos do uso de whey protein e creatina por crianças e adolescentes.

Foto: Reprodução/Shutterstock
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Foto: Saúde em Dia

Segundo os especialistas, esses suplementos não têm indicação para uso rotineiro em crianças saudáveis.

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O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria

O Departamento Científico de Nutrologia da SBP foi claro: não há evidência científica que justifique o uso regular desses produtos na infância. O alerta chega em um momento em que a cultura fitness e as redes sociais influenciam cada vez mais as escolhas alimentares das famílias.

O caso que acendeu o debate foi o de uma influenciadora fitness que revelou, em um podcast, que colocava whey protein na mamadeira da filha de três anos. A repercussão gerou uma série de questionamentos sobre os limites do uso de suplementos na infância.

Por que o whey protein pode ser prejudicial para crianças

O organismo infantil ainda está em desenvolvimento, e isso faz toda a diferença. Rins e fígado precisam trabalhar mais para metabolizar e eliminar o excesso proteico, o que pode gerar sobrecarga nesses órgãos.

"O organismo infantil não é preparado para lidar constantemente com excesso proteico. Rins e fígado podem sofrer sobrecarga renal, alterações hepáticas e desequilíbrios metabólicos", alerta a Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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Além disso, estudos apontam potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de proteína. O problema está na sobrecarga das vias de metabolização e de excreção de compostos nitrogenados.

Além da proteína: o que tem dentro desses suplementos?

Outro ponto levantado pela SBP é a composição desses produtos. Muitos suplementos vendidos atualmente são ultraprocessados e carregam uma lista de aditivos que vai muito além da proteína.

"Muitas pessoas olham apenas para a proteína e esquecem que esses produtos também carregam uma série de aditivos químicos. Isso está longe do conceito de alimentação saudável para uma criança", afirma a Dra. Elisabeth Fernandes.

Entre os aditivos presentes nesses produtos, estão:

  • corantes artificiais.

  • conservantes.

  • emulsificantes.

  • aromatizantes.

  • adoçantes artificiais.

O impacto do uso precoce de whey e outros suplementos não é apenas físico

O problema não é só físico. A SBP demonstra preocupação também com os efeitos emocionais e comportamentais do consumo precoce de suplementos.

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"Crianças podem desenvolver uma relação inadequada com a alimentação, preocupação excessiva com aparência e uma ideia distorcida sobre corpo e saúde desde muito cedo", alerta a pediatra.

Substituir refeições por shakes ou transformar suplementos em parte da rotina infantil compromete a construção de hábitos alimentares saudáveis. "Comer envolve afeto, convivência, cultura e aprendizado alimentar", lembra a especialista.

Alimentação natural já oferece tudo o que a criança precisa

Uma dieta variada, baseada em alimentos in natura, já fornece toda a proteína necessária para o crescimento saudável.

"Uma alimentação equilibrada já consegue fornecer toda a proteína necessária para crianças saudáveis", afirma Elisabeth. Segundo ela, não é preciso recorrer a suplementos para garantir o desenvolvimento infantil adequado.

Os alimentos que garantem aporte proteico suficiente na infância incluem:

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  • carnes, ovos e laticínios.

  • feijão, lentilha e outras leguminosas.

  • cereais integrais.

  • tubérculos, frutas e hortaliças.

Quando a suplementação é, de fato, indicada?

Existe, sim, um espaço para o uso de suplementos. Mas ele é muito mais restrito. A SBP reserva essa indicação para situações clínicas específicas.

Os casos que podem justificar a suplementação são desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica. Mesmo nesses casos, o uso deve ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde.

"A recomendação é muito clara: crianças e adolescentes saudáveis não precisam usar whey protein ou creatina na rotina. Antes de seguir tendências da internet, os pais devem conversar com o pediatra", finaliza a Dra. Elisabeth Fernandes.

"A infância não deve ser associada à lógica da performance estética. Hoje vemos crianças sendo expostas muito cedo a conteúdos que fazem parecer normal consumir suplementos diariamente, quando na maioria das vezes isso não é necessário", conclui a especialista.

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