Quem convive com enxaqueca costuma ouvir listas intermináveis de alimentos "proibidos". Chocolate, café, queijo, doce, glúten. Mas será que tudo isso é verdade?
A relação entre alimentação e enxaqueca é mais complexa e menos radical do que parece.
A seguir, esclarecemos 5 mitos e verdades comuns, com base em explicações médicas, para ajudar a separar informação de exagero.
1. A alimentação causa enxaqueca
Mito
Nenhum alimento causa enxaqueca.
A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, de origem principalmente hereditária.
"O problema não está no prato. Pessoas que não têm enxaqueca toleram muito melhor alimentos estimulantes", explica a neurologista Thaís Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da doença.
A alimentação pode atuar como gatilho ou agravante, mas não é a causa da enxaqueca.
2. Alimentos estimulantes podem piorar crises
Verdade
Alguns alimentos têm substâncias que estimulam o cérebro e podem:
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desencadear crises;
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aumentar a frequência;
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intensificar a dor;
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prolongar a duração.
Entre eles:
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café;
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chocolate e cacau;
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cupuaçu;
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guaraná;
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erva-mate.
A cafeína, presente nesses alimentos, tem efeito estimulante e analgésico. Isso pode mascarar sintomas no início, mas cronificar a doença quando usada em excesso.
3. Alimentos termogênicos devem ser evitados
Verdade
Alimentos termogênicos também estimulam o sistema nervoso e podem piorar crises em pessoas com enxaqueca.
Exemplos comuns:
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pimentas fortes;
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gengibre;
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canela;
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cúrcuma.
Isso não significa que todos precisem cortar esses itens, mas o consumo deve ser avaliado individualmente.
4. Refrigerantes estão liberados
Mito
Refrigerantes do tipo cola e guaraná não são indicados para quem tem enxaqueca.
O motivo:
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contêm cafeína;
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atuam como estimulantes cerebrais;
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podem agravar crises.
Mesmo versões sem açúcar não eliminam esse efeito estimulante.
5. Glutamato monossódico piora a enxaqueca
Verdade
O glutamato monossódico é um estimulante cerebral e pode ser um gatilho importante.
Ele está presente em:
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molho shoyu;
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temperos prontos em pó;
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salgadinhos industrializados;
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biscoitos salgados.
Por isso, é importante ler rótulos e ter atenção especial em restaurantes de comida japonesa, onde o shoyu é amplamente utilizado.
Outros mitos comuns que confundem pacientes
"Quem tem enxaqueca não pode comer doce"
Mito
O açúcar não causa enxaqueca.
O desejo por doces costuma aparecer na fase chamada pródromo, antes da crise, quando o cérebro busca energia rápida.
Isso não significa que o doce seja o gatilho da crise.
"Glúten e lactose causam enxaqueca"
Mito
Nenhum desses alimentos causa enxaqueca.
Algumas pessoas têm intolerâncias ou sensibilidades específicas, mas isso não é o mesmo que gatilho da doença.
Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Alimentação é parte do tratamento não tudo
Cortar alimentos estimulantes pode ajudar, mas não resolve sozinho.
A enxaqueca envolve:
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alterações neurológicas;
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fatores hormonais;
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sono;
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estresse;
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uso excessivo de analgésicos;
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alimentação.
"A crise é apenas o ápice de uma doença neurológica complexa, que pode envolver náuseas, vômitos, tonturas, auras visuais, zumbidos, alterações de humor e do intestino", explica a especialista.
Quando buscar ajuda?
Procure orientação médica se:
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as crises são frequentes;
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há piora progressiva;
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analgésicos são usados com frequência;
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a alimentação virou fonte de medo ou restrição excessiva.
Enxaqueca tem tratamento.
E informação correta faz parte dele.