Veterano da TV, Edson Celulari abre o jogo sobre crise no audiovisual e raridade de vínculos longos

Em entrevista sincera a Cissa Guimarães, o ator comentou a nova política de contratações por obra e os desafios de recomeçar a cada projeto

9 jul 2026 - 20h58

O mercado da televisão e do streaming passa por uma transformação profunda, e até mesmo os grandes nomes da teledramaturgia brasileira sentem os impactos dessa nova era. Recentemente, o ator Edson Celulari participou do programa 'Sem Censura', da TV Brasil, e abriu o coração sobre o fim dos contratos de longa duração na TV Globo. Com décadas de uma carreira consolidada, o veterano não escondeu que o atual cenário exige resiliência constante de quem vive da arte.

Edson Celulari desabafou no programa Sem Censura sobre o fim dos contratos de longa duração na TV Globo e analisou o atual cenário instável
Edson Celulari desabafou no programa Sem Censura sobre o fim dos contratos de longa duração na TV Globo e analisou o atual cenário instável
Foto: Reprodução YouTube/@TV Brasil / Bons Fluidos

O fim da estabilidade e o eterno recomeço

Celulari fez parte de uma era de ouro da televisão, onde os vínculos contratuais fixos traziam estabilidade financeira e profissional para o elenco principal. Contudo, com a nova política da emissora carioca focada em contratos curtos e por obra certa, a dinâmica mudou completamente.

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Nesse sentido, o ator destacou que a instabilidade faz parte da essência do trabalho artístico ao redor do mundo. "Tive o privilégio de pegar uma época da Globo em que tínhamos contratos mais longos, mas a realidade de um ator, a questão de trabalho, é muito dura. No mundo inteiro é assim. Termina um trabalho, começa do zero novamente", detalhou.

Da mesma forma, a apresentadora Cissa Guimarães compartilhou da mesma visão. Ela relembrou que o teatro oferece uma remuneração menor em comparação à televisão, exaltando a importância de incentivos como a Lei Rouanet para viabilizar as produções nos palcos.

Um conselho de Edson Celulari para as novas gerações

Apesar de o mercado estar mais aberto com a expansão do streaming, a competição ficou ainda mais acirrada e os postos fixos se tornaram raridades. Diante desse panorama desafiador, Edson Celulari fez questão de deixar um conselho direto para quem está começando ou deseja ingressar na área.

"O audiovisual hoje está muito difícil, porque esses contratos que sempre existiram, os mais longos, estão mais raros agora. Então o mercado está mais aberto. Então, é não desistir e seguir em frente", analisou.

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Para ele, a persistência é o único caminho possível. "Se tem alguma coisa a se falar para alguém que quer ir para esse nosso lado da arte é não desistir. É muito difícil, sempre será", pontuou o artista, relembrando que até mesmo seu próprio pai teve resistência no início antes de compreender sua real vocação.

Os novos rumos da carreira

Após encerrar seu vínculo fixo, o ator seguiu a tendência do mercado e passou a trabalhar na empresa por projetos específicos. Seu papel mais recente em novelas foi na trama Fuzuê.

Em suma, longe das amarras contratuais do passado, Celulari tem focado seus esforços em outras vertentes artísticas:

  • Teatro: Atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com o clássico 'O Beijo no Asfalto'.

  • Cinema: Dedicação a novos projetos e produções independentes nas telonas.

  • Flexibilidade: Liberdade para negociar com diferentes plataformas de streaming e produtoras.

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