Na Islândia, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é proibida por lei; saiba mais

Com lei de igualdade salarial, licença parental equilibrada e forte presença feminina na política, a Islândia mostra que reduzir desigualdades exige ação concreta

29 abr 2026 - 18h09

Pequena em território e população, a Islândia se tornou gigante quando o assunto é igualdade de gênero. Há anos, o país aparece no topo de rankings internacionais que avaliam as condições de vida, trabalho, participação política e oportunidades para mulheres.

Entenda como a Islândia se tornou referência mundial em igualdade de gênero e quais medidas ajudaram o país a diminuir diferenças 
Entenda como a Islândia se tornou referência mundial em igualdade de gênero e quais medidas ajudaram o país a diminuir diferenças
Foto: Reprodução: Yan Krukau/Pexels / Bons Fluidos

Mas esse reconhecimento não aconteceu por acaso. Por trás dos avanços islandeses, existe uma combinação de mobilização social, presença feminina no mercado de trabalho, vontade política e leis criadas para transformar a igualdade em prática - não apenas em discurso.

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Entre as medidas mais conhecidas está a lei que tornou obrigatória a comprovação de igualdade salarial entre homens e mulheres em empresas e instituições.

Igualdade salarial precisa ser comprovada

Em 2018, a Islândia se tornou o primeiro país do mundo a exigir, por lei, que empresas públicas e privadas provem que pagam salários iguais para homens e mulheres que exercem funções equivalentes.

Na prática, organizações com 25 ou mais funcionários precisam obter um certificado de igualdade salarial. Caso não consigam demonstrar que seguem critérios justos de remuneração, podem levar multa.

A grande diferença do modelo islandês é que a responsabilidade não recai sobre a trabalhadora. Ou seja, não é a mulher que precisa provar que recebe menos. É a empresa que deve comprovar que paga de forma justa. Essa mudança é importante porque tira o peso individual da denúncia e transforma a igualdade salarial em uma obrigação institucional.

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Uma luta que vem de longe

A lei de 2018 foi histórica, mas não surgiu do nada. A Islândia já discutia igualdade salarial há décadas. Desde os anos 1960, o país aprovava medidas para reduzir diferenças entre homens e mulheres no trabalho.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 24 de outubro de 1975, quando cerca de 90% das mulheres islandesas paralisaram suas atividades. Elas deixaram empregos formais, tarefas domésticas e cuidados não remunerados para mostrar o quanto sua presença sustentava a sociedade.

O protesto ficou conhecido como um marco do movimento feminista islandês e ajudou a fortalecer mudanças políticas nos anos seguintes.

A crise que abriu espaço para novas lideranças

A crise financeira de 2008 atingiu duramente a Islândia, provocando instabilidade econômica e questionamentos sobre a condução do país. Mas, em meio ao cenário difícil, surgiu também uma oportunidade de rever estruturas de poder.

Naquele período, ganhou força a percepção de que era preciso ampliar a participação feminina em cargos de liderança. A partir daí, novas políticas passaram a incentivar a presença de mulheres em espaços de decisão, tanto na política quanto nas empresas.

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Essa representatividade não apenas inspirou outras mulheres, mas também ajudou a criar políticas públicas mais voltadas à equidade.

Licença parental também faz diferença

Outro ponto central do modelo islandês é a licença parental mais equilibrada entre mães e pais. O país passou a adotar um sistema em que ambos têm direito a períodos independentes de licença - e parte desse tempo não pode ser transferida.

Esse modelo, conhecido como "usar ou perder", incentiva os homens a participarem dos cuidados com os filhos desde os primeiros meses de vida. O impacto vai além da família. Quando os homens também assumem o cuidado, a maternidade deixa de ser vista como uma responsabilidade quase exclusiva da mulher, o que ajuda a reduzir desigualdades no mercado de trabalho.

Ainda há desafios

Apesar de ser referência mundial, a Islândia não eliminou completamente a desigualdade de gênero. Diferenças salariais ainda existem, e cargos executivos de alto escalão continuam sendo ocupados majoritariamente por homens. Por isso, as mulheres islandesas seguem se mobilizando. Greves e protestos continuam acontecendo para lembrar que avanços importantes não significam que a luta terminou.

O que o mundo pode aprender com a Islândia

A experiência islandesa mostra que igualdade de gênero não depende apenas de boas intenções. Ela exige leis, fiscalização, políticas públicas e uma mudança cultural profunda.

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Ao responsabilizar empresas, incentivar pais a cuidarem dos filhos, ampliar a presença feminina na política e investir na infância, a Islândia mostra que a desigualdade pode ser enfrentada de forma prática.

No fim, o exemplo islandês reforça uma ideia simples, mas poderosa: quando uma sociedade cria condições reais para que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades, todos saem ganhando.

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