A ideia de que a Geração Z abraçaria a inteligência artificial sem resistência começa a perder força. Dados recentes mostram que, em vez de entusiasmo crescente, o que aparece é uma mudança clara de percepção - marcada por insegurança, desconfiança e preocupação com o futuro. Um relatório da Fundação Walton Family, divulgado entre 2025 e 2026, ajuda a entender esse movimento.
O entusiasmo caiu - e rápido
Segundo o levantamento, o número de jovens que se dizem "entusiasmados" com a inteligência artificial caiu de 36% para 22% em apenas um ano. Ao mesmo tempo, sentimentos negativos começaram a ganhar espaço.
A pesquisa também aponta uma redução no otimismo geral: apenas 18% dos entrevistados afirmam ter uma visão positiva sobre a IA, contra 27% no ano anterior.
Outro dado que chama atenção é o aumento da raiva - sentimento que agora aparece em quase um terço dos jovens ouvidos.
Mais do que uma simples mudança de opinião, esses números indicam um deslocamento importante: a IA deixou de ser vista apenas como novidade e passou a ser percebida em seus efeitos concretos.
O impacto direto no início da carreira
Grande parte dessa mudança está ligada ao mercado de trabalho. Para muitos jovens, a inteligência artificial não representa apenas avanço tecnológico, mas uma ameaça direta às primeiras oportunidades profissionais. Isso acontece porque muitas funções de nível inicial - porta de entrada para jovens profissionais - estão sendo automatizadas ou profundamente transformadas.
O ponto central não é uma aversão à inteligência artificial em si, mas o que ela representa. Os dados mostram que o desconforto está mais ligado ao risco de precarização das carreiras do que à tecnologia em si. Em outras palavras: o problema não é usar IA, mas o que pode acontecer com quem ainda está tentando encontrar espaço.
Um paradoxo: usar mesmo sem gostar
Apesar desse cenário, o uso da inteligência artificial continua alto entre os jovens. Cerca de 22% afirmam utilizar IA diariamente, enquanto 29% fazem uso semanal - números que permanecem estáveis em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, mais da metade dos estudantes (52%) acredita que dominar essa tecnologia será essencial para a vida acadêmica e profissional. Ou seja, mesmo com desconforto, a adaptação acontece - não por interesse, mas por necessidade.
Outro dado relevante do relatório mostra que a sensação de preparo está aumentando. Hoje, 56% dos estudantes dizem se sentir capazes de usar inteligência artificial no dia a dia após a formação, contra 44% no ano anterior.
Isso sugere um movimento claro: a Geração Z está se preparando, mesmo sem entusiasmo. É uma adaptação pragmática. Aprender a usar a tecnologia passa a ser uma estratégia para reduzir riscos e manter a competitividade em um cenário incerto.
O que essa mudança revela
O que os dados indicam não é um afastamento da tecnologia, mas uma relação mais crítica com ela. Se antes a inteligência artificial era vista como ferramenta de expansão, agora ela também é percebida como fator de pressão.
Para uma geração que está começando a construir sua trajetória profissional, isso faz diferença. A preocupação não é abstrata - ela está diretamente ligada ao futuro, às oportunidades e à sensação de segurança.