'Eu moro dentro de mim': livro mostra como a espiritualidade guia o autoconhecimento infantil

No livro, a autora Maria Carolina Cristianini traz, por exemplo, Yemanjá e Oxum para guiar as crianças na busca pela identidade, ajudando a afastá-las da intolerância religiosa

3 abr 2026 - 10h36

O combate ao racismo religioso ganhará em breve um aliado sensível e necessário nas prateleiras das livrarias. O livro infantil 'Eu moro dentro de mim' apresenta três narrativas que conectam a natureza, a espiritualidade afro-brasileira e o autoconhecimento sob o olhar da autora Maria Carolina Cristianini, que busca mostrar às crianças e suas famílias que a alegria, a força e a natureza também vivem dentro de cada uma delas.

Em 'Eu moro dentro de mim', a autora Maria Carolina Cristianini apresenta Yemanjá e Oxum como guias para as crianças na busca pela identidade
Em 'Eu moro dentro de mim', a autora Maria Carolina Cristianini apresenta Yemanjá e Oxum como guias para as crianças na busca pela identidade
Foto: Divulgação / Bons Fluidos

O nascimento de 'Eu moro dentro de mim'

Publicada pela Andrômeda Editora, a obra mergulha no universo da Umbanda para falar sobre identidade com os pequenos. A motivação da escritora, atuante no jornalismo infantojuvenil, há 18 anos, surgiu de sua própria vivência religiosa e da urgência de conscientização. "É fundamental falar sobre as religiões de matriz africana pelos mais diversos caminhos. E iniciar isso na infância faz toda a diferença para a construção de uma sociedade que abandone o preconceito e a discriminação", aponta.

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As histórias carregam memórias afetivas profundas da infância de Maria Carolina no terreiro. Uma das tramas, por exemplo, reflete as lembranças reais da escritora aos seis anos de idade, quando tentava "criar" joaninhas na escola. A narrativa 'As 7 vezes em que José disse sim — Um chamado de Ogum', por sua vez, rememora o avô paterno da autora, que foi um guia em sua caminhada espiritual. Já o conto 'Dentro do mar tem rio' detalha o encontro de Yemanjá e Oxum, celebrando as divindades que a conduzem.

Para facilitar a compreensão de quem não frequenta religiões de matriz africana, então, o livro inclui um glossário que explica termos fundamentais. Cristianini ressalta que essa abordagem é um direito garantido pela Lei nº 10.639, que inclui a cultura afro-brasileira nos currículos. "Existe um espaço que precisa e deve ser ocupado: o da literatura sobre essa temática para as crianças que são de terreiro. Em histórias como a do livro 'Eu moro dentro de mim', elas se reconhecem e criam pertencimento", defende a autora.

Jornada de autoconhecimento

Nesse sentido, a escritora utiliza o próprio título da obra para ilustrar como as crianças podem usar a espiritualidade como ferramenta de autoconhecimento. "Na história que dá nome ao livro, a maneira como a personagem Maria se aproxima e se distancia de sua espiritualidade foi uma forma de falar sobre esse processo. Ela precisou passar por momentos de dúvida para entender quem ela é e o que compõe a sua essência", explica.

"Ir entendendo, desde a infância, quais são os pilares daquilo que nos faz bem, que nos torna mais nós mesmos, na busca por não se distanciar de nossa essência — ou, ao menos, saber qual caminho pegar para voltar a ela caso um desvio de trajeto aconteça", complementa. 

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Ademais, com a obra, a escritora espera que pais e educadores vejam no livro uma oportunidade de integrar histórias ancestrais ao cotidiano. Por fim, seu objetivo central é reduzir a intolerância por meio da informação e da representatividade literária. "Quero mensagem de respeito a todos os tipos de crença e fé, além do entendimento de que as religiões de matriz africana fazem parte da cultura e da formação brasileira", conclui.

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