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Cientistas de SC estudam possíveis benefícios da guabiroba à saúde

Pesquisa indica que compostos antioxidantes do fruto nativo da Mata Atlântica resistem à digestão e podem atuar no controle glicêmico e do colesterol

30 abr 2026 - 10h39

Da mesma família da goiaba, a guabiroba esbanja vitaminas, sais minerais e fitoquímicos. Esse mix tem potencial de blindar as artérias, com impactos positivos no equilíbrio glicêmico e na redução do risco de doenças cardiovasculares e diabetes. A espécie tem sido analisada por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que também estudam outros frutos nativos da Mata Atlântica, caso da jabuticaba, da pitanga e do araçá.

Pesquisa indica que compostos antioxidantes da guabiroba resistem à digestão e podem atuar no controle glicêmico e do colesterol
Pesquisa indica que compostos antioxidantes da guabiroba resistem à digestão e podem atuar no controle glicêmico e do colesterol
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

"Entre os destaques da guabiroba estão os fenólicos, sobretudo os flavonoides", conta a engenheira de alimentos Aniela Kempka, professora da Udesc e líder do grupo por trás de um artigo publicado em 2025 no periódico Foods. Por meio de simulação do processo digestivo no laboratório, os cientistas avaliaram o comportamento dessas e demais substâncias vindas tanto do fruto quanto das folhas. "Vários desses compostos permaneceram acessíveis após a digestão simulada", revela Kempka.

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Significa que os efeitos benéficos se mantêm no organismo. Os ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além do kaempferol, da quercetina e da miricetina, são exemplos de fenólicos da guabiroba. Todos apresentam ação antioxidante. Além disso, há evidências de atuação anti-inflamatória, o que resguarda as artérias.

Os pesquisadores também prepararam um tipo de biscoito com o extrato da espécie (folhas e frutos), que foi oferecido a cães. Entre os achados, então, observou-se que o alimento age no controle glicêmico, ajudando a modular as taxas de açúcar na circulação. "Ocorreu ainda a redução dos níveis de colesterol total", comenta a pesquisadora.

Tais resultados confirmam indícios, encontrados na literatura científica, de que os flavonoides atuam em prol da saúde metabólica. Contudo, análises em humanos seriam necessárias para confirmar esses apontamentos.

Descobrindo a guabiroba

"A guabiroba é uma espécie ainda pouco explorada, seja para a alimentação no dia a dia, seja para o desenvolvimento de alimentos funcionais", afirma a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado (HMAP), gerido pelo Einstein Hospital Israelita.

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Portanto, investigar ingredientes nativos amplifica o repertório alimentar, fortalece cadeias produtivas locais e contribui para modelos de produção sustentáveis. "Trata-se de algo estratégico em diferentes perspectivas: científica, nutricional, econômica ou ambiental", analisa Freitas.

Dietas monótonas reduzem a exposição a diferentes micronutrientes e compostos bioativos. "Quando ampliamos a variedade de frutas, verduras, legumes, entre outros alimentos, há o aumento no consumo de fibras, antioxidantes e fitoquímicos. Isso, então, impacta positivamente a microbiota intestinal, o metabolismo e a saúde em longo prazo", observa a nutricionista.

Além dessas substâncias, análises da Embrapa Florestas revelam que a guabiroba esbanja vitamina C, a aliada da imunidade. Ademais, é rica minerais como o potássio, que favorece a pressão arterial e ainda carotenoides, grupo de pigmentos com potente ação antioxidante. Inclusive, são eles os responsáveis pela cor amarela do fruto.

Não confunda

A Campomanesia xanthocarpa, nome científico da fruta estudada pelos cientistas da Udesc, está presente predominantemente nas regiões Sul e Sudeste. Cresce em árvores de grande porte, que ultrapassam 15 metros de altura. Já a gabiroba-do-campo, ou guavira (Campomanesia adamantium), é um arbusto com cerca de dois metros de altura, comum no bioma do Cerrado.

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Ambas as espécies oferecem frutinhos amarelos, doces e supernutritivos, que fazem sucesso na versão in natura e incrementam preparações doces — como geleias, compotas, sorvetes e sucos — e salgadas em forma de molhos para carnes.

Mas existe ainda a guariroba ou gueroba, que apesar da nomenclatura parecida, é totalmente diferente. Trata-se da Syagrus oleracea, uma palmeira oriunda do Cerrado que aparece em parte do Sudeste e Nordeste. Oferece um palmito de textura firme e gosto puxado para o amargo, utilizado em saladas e no famoso empadão goiano. Dessa palmeira também é extraída uma amêndoa usada em sobremesas. Por toda a riqueza nutricional e pelo sabor, vale a pena conhecer todas elas.

*Texto escrito por Regina Célia Pereira, da Agência Einstein 

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