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Candidíase de repetição: descubra o que está por trás da doença

Entenda causas, sintomas e como evitar novas crises com tratamento e mudanças no estilo de vida

27 abr 2026 - 09h00

Ana Paula Fonseca explica os fatores por trás das infecções recorrentes e o que pode ser feito para controlar o problema

Ardência, coceira intensa, corrimento esbranquiçado e desconforto nas relações. Para muitas mulheres, esses sintomas não aparecem apenas de forma pontual, eles voltam, mês após mês. A chamada candidíase de repetição, geralmente caracterizada por quatro ou mais episódios ao longo de um ano, é mais comum do que se imagina e pode impactar diretamente a qualidade de vida.

Foto: Revista Malu

De acordo com a ginecologista Ana Paula Fonseca, o problema vai muito além de uma infecção simples. "A candidíase é causada por um fungo que já vive naturalmente no organismo, principalmente a Candida albicans. O que acontece nos quadros de repetição é um desequilíbrio no ambiente vaginal, que favorece a proliferação desse micro-organismo", explica.

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Por que a candidíase volta?

Diversos fatores podem contribuir para esse desequilíbrio. Entre os principais, estão alterações hormonais, uso frequente de antibióticos, imunidade baixa e até hábitos do dia a dia.

"A gente precisa entender que a saúde íntima está diretamente ligada ao estilo de vida. Estresse, alimentação rica em açúcar, noites mal dormidas e uso de roupas muito apertadas ou abafadas podem interferir nesse ecossistema vaginal", destaca a médica.

Outro ponto importante são as oscilações hormonais. Mulheres que fazem uso de anticoncepcionais hormonais ou estão em fases como gravidez e menopausa podem apresentar maior predisposição.

Além disso, doenças como diabetes também entram no radar. "Quando a glicemia está desregulada, o ambiente se torna ainda mais propício para a proliferação do fungo", alerta Ana Paula.

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Não é só tratar, é investigar

Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é tratar apenas os sintomas sem investigar a causa da recorrência.

"Muitas pacientes chegam ao consultório já tendo usado antifúngicos diversas vezes por conta própria. Isso pode até aliviar momentaneamente, mas não resolve o problema de base. Em alguns casos, pode até dificultar o tratamento", explica.

Ela reforça que o diagnóstico correto é essencial, já que nem todo corrimento ou coceira é candidíase. "Existem outras infecções vaginais com sintomas semelhantes. Por isso, a avaliação médica é indispensável."

Como prevenir novas crises?

A boa notícia é que, com acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente as recorrências. O tratamento pode incluir desde medicamentos antifúngicos por períodos mais prolongados até mudanças no estilo de vida.

"Cada caso precisa ser individualizado. Em algumas situações, indicamos protocolos de manutenção por meses, além de orientações sobre alimentação, higiene íntima e até o uso de probióticos específicos", orienta a ginecologista.

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Entre as medidas que podem ajudar estão:

  • Evitar roupas muito justas ou úmidas por longos períodos;
  • Preferir calcinhas de algodão;
  • Reduzir o consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados;
  • Evitar duchas vaginais e produtos íntimos agressivos;
  • Manter o controle de doenças como diabetes.

Quando procurar ajuda?

Se os episódios forem frequentes ou persistentes, o ideal é procurar um ginecologista para uma investigação mais detalhada.

"A candidíase de repetição não deve ser normalizada. Ela é um sinal de que algo no organismo precisa de atenção. Com o tratamento correto, é possível controlar e devolver qualidade de vida à paciente", finaliza Ana Paula.

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