A estilista Penha Maia levou a coleção "Brutalismo: Corpo Urbano" para o coração de São Paulo, em um desfile realizado no centro da capital, no Viaduto do Chá, cenário que dialogou diretamente com a proposta da marca. A inspiração veio de ícones da arquitetura brutalista paulistana, especialmente o MASP, projetado por Lina Bo Bardi, cujas formas monumentais, linhas, vigas vermelhas e volumes serviram de ponto de partida para a criação.
A arquitetura foi traduzida em modelagens de forte apelo escultural. Silhuetas estruturadas lembravam caixas e blocos de concreto, enquanto volumes arredondados apareciam nos quadris, nas mangas e nas saias, criando um interessante jogo entre linhas retas e curvas. Mangas e pernas de calças vinham em formato de canos grossos prateados, como molas flexíveis prateadas, muitas vezes expostos sobre o concreto.
Na passarela, os looks remetiam também às formas do Balé Triádico (Triadisches Ballett ), criado pelo artista Oskar Schlemmer, em 1922. Ele um mestre da escola alemã Bauhaus. Formas arredondadas, chapéus em formato de casas, ombros quadrados e estruturados acima da linha do corpo, ao lado de saias arredondadas criavam esse balé urbano sobre o Viaduto do Chá.
A construção das peças evocava a imponência dos edifícios brutalistas sem abrir mão da feminilidade. O contraponto vinha da renda, que suavizava a rigidez das formas arquitetônicas. O tecido delicado surgia em diferentes propostas, trazendo leveza às composições e equilibrando a força das estruturas. O resultado foi uma coleção que transitou entre o concreto e o orgânico, entre a cidade e o corpo.
Na cartela de cores, o cinza predominou como referência ao concreto aparente das construções. Em contraste, amarelo e vermelho injetaram energia aos looks, enquanto bege e off-white completaram a paleta, reforçando a sofisticação e o equilíbrio da coleção. Entre as referências ao Masp, a reprodução do quadro "Rosa e Azul", de Renoir, sobre blusa de renda.