Por Bruna Galvão - A Semana do Design de Milão, que com o Fuorisalone traz inúmeros eventos paralelos ao tradicional Salão do Móvel, começa nesta segunda-feira (20) com a promessa de ser a maior já realizada.
Segundo a prefeitura local, estão previstas mais de 267 atividades pela cidade, sendo o Brasil um dos destaques da programação estrangeira. Mas não apenas como expositor: os brasileiros também prometem marcar presença no evento como visitantes.
O interesse nacional pela maior feira mundial do setor já ficou comprovado no ano passado, quando o país sul-americano liderou o número de visitantes não europeus, figurando na quarta posição geral do ranking.
Há mais de 20 anos, o empresário paulistano Maurício Siqueira, fundador e CEO da Siq Marketing, tem testemunhado o crescimento gradativo da frequência brasileira na Semana de Milão ao organizar viagens para o evento. Se na primeira missão, em 2005, o grupo contava apenas com marceneiros, a turnê deste ano está mais eclética, contando também com designers de interiores e lojistas entre os 30 participantes, com idades variadas e originários de todo o Brasil.
"Em 2005, havia poucas marcas brasileiras expondo em Milão", afirmou Siqueira à ANSA, acrescentando que esses expositores "querem vender para o Brasil", aproveitando a projeção internacional do evento.
A designer mineira Virginia Morsani, cofundadora da plataforma Tropicalist, também acredita que "os brasileiros são sempre um dos maiores públicos" da feira. Após ter trocado Belo Horizonte pela capital da Lombardia, Morsani reuniu 25 designers e artistas do Brasil para a mostra "ia - Inteligência Artesanal", instalada no bairro de Brera, um dos mais icônicos de Milão, em parceria com o milanês Lorenzo Gallori e a brasileira Neia Paz.
"Estamos no meio dos gigantes", celebrou Morsani sobre a exposição que integra o Fuorisalone e oferece "uma experiência imersiva, marcada por cores, matérias-primas e narrativas que expressam o Brasil contemporâneo".
Com nomes como Segafredo com Breno Loeser, Uultis, Katharina Welper, ÍCON Design e Traço Um, o projeto traz instalações, peças e móveis desenvolvidos a partir de novos materiais, abordagens autorais e processos experimentais que "reforçam a vitalidade criativa do design brasileiro e ampliam suas possibilidades de diálogo com o mercado global".
"O Brasil tem um diferencial. Não estamos aqui para copiar, mas para trazer o frescor que nosso país tem para mostrar", pontuou Morsani.
Opinião similar tem o artista paulistano Alê Jordão, um veterano na Semana de Design de Milão. "O Brasil sempre teve força em Milão, mas hoje vejo uma presença mais segura da própria identidade: existe menos preocupação em se encaixar e mais liberdade para assumir referências, contrastes e até imperfeições. E é justamente isso que chama atenção lá fora", comentou.
Com nada menos que 20 participações no evento, Jordão assina três projetos nesta edição, com destaque para a instalação imersiva Pink Toilet, no circuito 5VIE, no centro histórico da cidade.
"Esse projeto é inspirado no Pink Motel, de Los Angeles, um lugar onde tudo é rosa e o ordinário se transforma. O banheiro, por sua vez, vira protagonista e ganha ares sedutores, um local onde passamos tempo, nos observamos e despimos nossas máscaras", contou o artista, que expõe no mesmo circuito a "Lightning Bolt Neon", uma escultura de luz que converte o relâmpago em símbolo contemporâneo de energia, tensão e movimento.
Já em Brera, com "Frida's Boka Loka", Jordão reinterpreta a figura da célebre pintora mexicana Frida Kahlo a partir de uma abordagem contemporânea e simbólica.
A Semana de Design de Milão ocorre em toda a capital lombarda até o dia 26 de abril. .