Cinco desfiles, uma semana de alta-costura e o ritmo intenso que só quem pisa em backstage conhece. Marcello Costa assinou a maquiagem de Imane Ayissi, Tony Ward, Vaishali, Ronald van der Kemp e Rami Al Ali, em Paris — e o Elas no Tapete Vermelho acompanhou de perto essa rotina entre pincéis, calor e precisão.
Mineiro radicado em Nova York, Marcello transita pelo mundo sem perder o foco no essencial: a beleza precisa aparecer na medida certa. Nem mais, nem menos. Deve valorizar o look, a ideia do estilista, a atitude da modelo — nunca competir.
Nos bastidores, o dia começa cedo, cerca de quatro horas antes dos desfiles, e não dá trégua. A alta-costura exige rigor e perfeição. Some-se a isso as altas temperaturas que tomaram Paris nesta temporada e o cenário fica ainda mais desafiador. Ainda assim, Marcello conduz tudo com calma, à frente de uma equipe afinada, que funciona quase no automático.
Na passarela, nada é por acaso. A beleza dialoga com a roupa, o cenário e a narrativa de cada marca. E é justamente aí que se percebe uma virada.
Depois de temporadas dominadas pelo minimalismo, a beleza volta a ganhar força — mas sem excessos. O batom vermelho reaparece, os coques surgem mais construídos ou revisitados, os olhos ganham intensidade, às vezes com toques inesperados, como plumas, e os metálicos entram em cena de forma pontual. A pele segue impecável e luminosa, com o glow que já virou assinatura.
Antes de retornar a Nova York, encontramos Marcello em um restaurante no centro de Paris para falar sobre esse momento. A palavra-chave veio direta: identidade.
Ele relembra que a alta-costura já teve como marca o maximalismo dramático de nomes como Jean Paul Gaultier e John Galliano na Dior, antes da virada para o minimalismo. Agora, segundo ele, o movimento aponta para um classicismo renovado. "É a moda com identidade. A mulher pode usar o que quiser — do batom vermelho ao delineado —, sempre de acordo com o seu estilo", afirma.
Os cabelos também ganham novo protagonismo. "Deixam de ser complemento e passam a integrar a narrativa, equilibrando estruturas marcantes e a valorização da textura natural."
Mais do que tendência estética, trata-se de atitude. "Não estamos falando só de maquiagem ou cabelo. Estamos falando de identidade. A mulher da alta-costura volta a ser personagem: elegante, forte, sofisticada e sem medo de ocupar espaço. É menos sobre perfeição e mais sobre presença."
Confira o vídeo com a entrevista:
Ver esta publicação no InstagramUma publicação partilhada por Rosângela Espinossi (@roespinossi)