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5 mitos sobre a doença celíaca

Entenda mais sobre a doença que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros

20 abr 2026 - 09h03

Especialista elenca os maiores mitos e explica da um deles

A doença celíaca ainda é cercada por desinformação que dificulta seu reconhecimento e contribui para o alto número de casos não diagnosticados. Da ideia de que seria apenas uma intolerância ao glúten até a crença de que sempre provoca sintomas digestivos, esses equívocos reforçam diagnósticos tardios e fazem com que muitos pacientes convivam por anos com manifestações que nem sempre são associadas à doença.

Foto: Revista Malu

De acordo com Cássio Vieira de Oliveira, gastroenterologista e endoscopista, chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, a condição é autoimune, pode afetar diversos órgãos e nem sempre apresenta sinais evidentes. Por isso, derrubar esses mitos é fundamental para ampliar o diagnóstico e evitar condutas inadequadas, como retirar o glúten da dieta antes da investigação médica.

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A seguir, o especialista desvenda 5 mitos sobre a doença:

1 - A doença celíaca é apenas uma intolerância ao glúten

"Não, ela é uma doença autoimune, não uma simples intolerância. A doença celíaca é uma doença sistêmica que pode afetar qualquer órgão ou tecido humano, não apenas o trato gastrointestinal", explica.

2 - A doença celíaca sempre causa sintomas digestivos

"Não, ela frequentemente se apresenta sem sintomas digestivos. As manifestações extraintestinais são comuns e incluem:

  • Sistema neuropsiquiátrico: neuropatia periférica, enxaqueca, depressão e ansiedade;
  • Sistema reprodutivo: menarca tardia, infertilidade inexplicada, menopausa prematura;
  • Sistema mucocutâneo: como dermatite herpetiforme;
  • Sistema musculoesquelético: como osteoporose;
  • Sistema hematológico: como anemia por deficiência de ferro ou vitamina B12.

Até 22% dos pacientes com doença celíaca apresentam manifestações neurológicas ou psiquiátricas. A anemia por deficiência de ferro é observada em 32% dos adultos e 9% das crianças no diagnóstico."

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3 - Cortar o glúten da dieta sem diagnóstico resolve o problema

"Não, remover o glúten antes do diagnóstico é fortemente desencorajado, pois reduz drasticamente a sensibilidade dos testes sorológicos e histológicos. A restrição de glúten antes do teste pode resultar em resultados falso-negativos, impedindo o diagnóstico adequado", afirma.

4 - Pequenas quantidades de glúten não fazem mal

"Não existe um limiar seguro de glúten para pacientes com doença celíaca. Estudos recentes demonstram que a ativação imunológica ocorre em doses de glúten abaixo dos limiares atuais de rotulagem de alimentos."

5 - A doença celíaca é rara

"Não, ela é uma doença comum, com prevalência de aproximadamente 1% na população geral na maioria dos países. A incidência de doença celíaca aumentou exponencialmente nas últimas décadas. Apesar de sua alta prevalência, a doença ainda é amplamente subdiagnosticada. Calcula-se que, em média, 70% dos casos (a chamada parte submersa do iceberg celíaco) escapam ao diagnóstico e tratamento", conclui.

Revista Malu
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