UE cede a pressões e propõe flexibilizar mercado de carbono

No entanto, para a Itália, reforma do sistema ETS ainda é 'insuficiente'

17 jul 2026 - 12h57
(atualizado às 14h01)

O poder Executivo da União Europeia apresentou nesta sexta-feira (17) uma proposta de flexibilização do Sistema de Comércio de Emissões (ETS), seu principal instrumento de precificação de carbono, em resposta à pressão de setores industriais e de países como Itália e Polônia por uma transição mais suave.

Indústrias na UE terão mais tempo para reduzir emissões de carbono
Indústrias na UE terão mais tempo para reduzir emissões de carbono
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A reforma, que ainda precisa ser aprovada pelos 27 Estados-membros e pelo Parlamento Europeu, permite que empresas poluentes continuem emitindo por mais tempo e a custos menores do que o previsto, desde que invistam em descarbonização.

Publicidade

Segundo o comissário do Clima da UE, Wopke Hoekstra, a proposta une "ação climática e competitividade, abrindo caminho para a reindustrialização da Europa e imprimindo uma verdadeira aceleração rumo à independência" energética.

O ETS, em vigor desde 2005, obriga grandes poluidores - como usinas de energia e indústrias siderúrgicas, de cimento e químicas - a pagar por suas emissões de carbono, reduzindo a pegada ambiental da UE e gerando receita para a transição verde.

Na prática, a reforma apresentada pela Comissão Europeia propõe uma desaceleração, a partir de 2031, do ritmo de redução do teto de emissões no âmbito do ETS. O valor máximo continuaria diminuindo ano a ano, mas com uma contração anual de 3,7% até 2035, contra os atuais 4,4%, e de 1,7% a partir de 2036, quando o sistema seria aberto a créditos de carbono internacionais, respeitando um limite de 2% do total.

Bruxelas também quer reduzir o ritmo de eliminação das licenças de emissão gratuita de CO2 para os setores enquadrados no Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (Cbam), que tarifa as importações para evitar que a indústria do bloco seja penalizada pela concorrência com países que têm regras menos severas. Agora a Comissão Europeia quer manter as licenças gratuitas até 2038, e não mais até 2034.

Publicidade

Dessa forma, os setores de aço, cimento, alumínio e fertilizantes ? juntamente com outras indústrias afetadas ? terão mais tempo para gerenciar os custos relacionados ao CO2 e investir na conversão de suas instalações. A medida visa reduzir o risco de transferência da produção e de empregos para fora da Europa.

De acordo com Hoekstra, a revisão do ETS está "plenamente em linha com as ambições" climáticas da UE, incluindo a meta de reduzir as emissões líquidas de gases do efeito estufa em 90% até 2040. Para equilibrar a flexibilização, o Executivo da UE propôs ampliar o sistema de comércio de emissões para incluir voos comerciais de até 5 mil quilômetros e todos os jatos particulares.

Para o ministro das Empresas da Itália, Adolfo Urso, a reforma é "absolutamente necessária e urgente", mas as propostas de Bruxelas ainda são "insuficientes e muito tímidas" ? Roma defende uma flexibilização maior do ETS.

"Vamos debater de perto nos próximos dias, sobretudo com o sistema industrial, para entender como melhorar essas propostas para que sejam verdadeiramente eficazes. Aquilo que nos foi apresentado é, francamente, muito pouco", disse.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se