Até 18 estudos que alegavam a presença de microplásticos em órgãos humanos foram contestados devido a possíveis falhas técnicas e de controle. E, embora estejamos obcecados com eles há anos, a verdade é que isso não deveria nos surpreender: sabemos disso praticamente desde o início.
Estudos que sugerem sua presença em tecido arterial ou testículos vêm recebendo críticas públicas desde o princípio. E o famoso estudo que alegava a presença de microplásticos no cérebro foi pura fraude científica.
Nada disso invalida as preocupações ambientais, nem nega a exposição humana a esses tipos de partículas. Simplesmente indica que fomos longe demais.
E que muitas pessoas estão se aproveitando da situação.
O que exatamente aconteceu?
Na última década, a poluição ambiental por microplásticos tornou-se uma questão central que não só gerou um boom na pesquisa, mas também impulsionou regulamentações e legislação.
E é lógico: o uso global de plástico (que atingiu 460 megatoneladas em 2019) deverá triplicar até 2060, tornando seu impacto uma questão séria a ser considerada.
No entanto, a atenção da mídia está obscurecendo o fato de que diversos estudos fazem afirmações sem o rigor metodológico necessário para sustentá-las.
Qual é o verdadeiro problema?
Na verdade, são muitos problemas. Para começar, o próprio termo "microplásticos" é deliberadamente amplo e confuso: estamos falando de uma miríade de coisas (fragmentos, fibras, filmes ou partículas) de inúmeros tamanhos e composições. Seu uso é útil ...
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