Veja o que diz estudo sobre efeito das canetas emagrecedoras no controle da ansiedade

Pesquisa revela que medicamentos para diabetes e obesidade podem reduzir drasticamente internações psiquiátricas e dependência química

19 mar 2026 - 17h33

A ciência acaba de dar um passo significativo na compreensão de como os medicamentos modernos para o controle do peso podem influenciar a mente humana de formas até então pouco exploradas. As famosas canetas utilizadas originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, para o combate à obesidade, podem estar associadas a benefícios profundos para a saúde mental. O mecanismo por trás da redução da ansiedade e da depressão apresenta semelhanças intrigantes com o efeito desses medicamentos no combate a diversos vícios, sugerindo que a ação dessas substâncias vai muito além do sistema digestivo.

Canetas utilizadas para o tratamento do diabetes e para o combate à obesidade podem trazer benefícios também para a saúde mental
Canetas utilizadas para o tratamento do diabetes e para o combate à obesidade podem trazer benefícios também para a saúde mental
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Benefícios das canetas de GLP-1 para o equilíbrio emocional

A conclusão de que o medicamento pode estar associado a uma menor incidência de quadros de saúde mental é de um estudo envolvendo quase 100 mil participantes, publicado nesta quarta-feira na prestigiada revista científica The Lancet Psychiatry. Do total analisado, mais de 20 mil pessoas realizaram tratamentos com análogos de GLP-1. Esses medicamentos são conhecidos dessa forma por simularem o funcionamento do hormônio natural GLP-1 no corpo humano. A semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy, ganhou enorme popularidade global por ser efetiva na perda de peso, mas os resultados da nova pesquisa mostraram que seu uso foi o que mais esteve associado a uma redução nos afastamentos do trabalho e nas internações por motivos psiquiátricos.

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Ao longo do período em que utilizaram a substância, os pacientes apresentaram uma queda de 42% nesses problemas em comparação aos momentos em que a semaglutida não estava presente como tratamento. Se analisadas as doenças separadamente, os dados são ainda mais impressionantes: para a depressão, o risco foi 44% menor, enquanto para o transtorno de ansiedade, a redução foi de 38%. Mark Taylor, professor da Griffith University e um dos pesquisadores do estudo, comenta ao g1 que ainda é difícil estabelecer qual o motivo exato por trás dessa associação tão positiva.

O papel da dopamina e do açúcar no sangue no humor

O especialista pontua que, além da simples perda de peso e da consequente melhora da autoestima, há evidências de que um melhor controle do açúcar no sangue pode melhorar a regulação do humor de forma direta. Mas, aparentemente, há mais pontos envolvidos no mecanismo de ação da semaglutida no corpo e nos efeitos na saúde mental que a ciência começa a desvendar agora. "Alguns agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, têm um efeito central no cérebro, possivelmente por meio das vias de recompensa relacionadas à dopamina, além de poderem ter efeitos anti-inflamatórios ou estimular a recuperação cerebral", detalha Taylor sobre as descobertas.

O pesquisador pondera, ainda, que apesar do estudo mostrar forte associação entre os dois fatores, o levantamento sozinho não é capaz de demonstrar causalidade definitiva. Além do impacto positivo na saúde mental, o uso da semaglutida também foi associado a um menor risco de transtornos por vício em substâncias químicas. "Hospitalizações e afastamentos relacionados ao consumo de substâncias foram 47% menores durante os períodos de uso do medicamento, em comparação com períodos sem GLP-1", destacam os pesquisadores no relatório final do estudo. Esta evidência reforça a tese de que o cérebro responde ao medicamento de forma sistêmica.

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