Universo continua a se expandir rapidamente, confirma estudo

24 jun 2026 - 10h06

Nova pesquisa reafirma teorias sobre a taxa de expansão do universo e a existência de energia escura, contradizendo estudo do ano passado que dizia que expansão do universo teria desacelerado.O Big Bang, a grande explosão ocorrida há cerca de 13,8 bilhões de anos, deu origem ao universo, que vem se expandindo desde então. Em 1998, astrônomos revelaram que esse crescimento ocorre em ritmo cada vez mais acelerado e que uma força invisível enigmática, chamada energia escura, seria responsável por isso.

Universo segue em expansão acelerada, constatam cientistas, após estudo contrariar esse entendimento
Universo segue em expansão acelerada, constatam cientistas, após estudo contrariar esse entendimento
Foto: DW / Deutsche Welle

No entanto, um estudo controverso, publicado no ano passado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, colocou esse consenso em dúvida ao concluir que a expansão do universo teria desacelerado, desafiando as bases da astrofísica moderna.

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A resposta da comunidade científica não demorou. Uma nova pesquisa publicada em meados de junho na mesma revista refuta o estudo anterior e reforça o modelo cosmológico padrão por meio de uma análise mais abrangente.

"O universo continua se acelerando. Ainda há muito que não sabemos e que nos entusiasma aprender, mas acreditamos que estamos no caminho certo", afirma o coautor Brodie Popovic, astrofísico da Universidade de Southampton, na Inglaterra.

Em comunicado da própria universidade, o autor principal, Phil Wiseman, afirma: "As medições anteriores, amplamente aceitas, estavam de fato corretas, e nossa compreensão atual sobre o destino do universo continua sólida".

Supernovas: os marcadores de tamanho do cosmos

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Para determinar o ritmo da expansão, a equipe internacional - que inclui dois ganhadores do Nobel - recorreu às supernovas do tipo Ia. Essas poderosas explosões estelares ocorrem quando uma anã branca, remanescente de uma estrela de massa pequena ou média, colapsa sobre si mesma ao fim de seu ciclo de vida.

Como essas explosões apresentam praticamente a mesma luminosidade intrínseca, são fenômenos extremamente valiosos para medir distâncias no espaço profundo. Seu brilho aparente varia de acordo com a distância até a Terra, mais intenso quando está próxima e mais fraco à medida que se afasta, funcionando como verdadeiros marcos de referência na imensidão do universo.

Ao analisar essa luz, os pesquisadores conseguem estimar a velocidade da expansão cósmica em diferentes períodos da história do universo, já que observar regiões distantes do espaço equivale a olhar para o passado, devido ao tempo que a luz leva para chegar até nós.

O debate sobre o "efeito da idade"

Os astrônomos estimam que o universo é composto por apenas 5% de matéria comum (estrelas, planetas e gás), 27% de matéria escura e impressionantes 68% de energia escura.

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Adam Riess, coautor do novo estudo, astrofísico da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e vencedor do Nobel de Física de 2011 pelo codescobrimento da expansão acelerada do universo, afirma que "as supernovas do tipo Ia são a principal ferramenta para medir a história da expansão do universo e forneceram a primeira evidência, em 1998, de que essa expansão está se acelerando devido à energia escura".

Argumentos e respostas

Os autores do estudo de 2025 sugeriram que a energia escura estaria perdendo força e deixado de acelerar a expansão do universo. Além disso, argumentaram que as distâncias das supernovas deveriam ser calibradas de outra forma, levando em conta a idade das estrelas que acabam explodindo, e que esse chamado "efeito da idade" poderia alterar de maneira significativa as evidências da aceleração.

"Não encontramos evidências do suposto 'efeito da idade' nas maiores amostras calibradas de supernovas utilizadas pela comunidade cosmológica na última década", afirmou Riess.

O astrofísico Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei, em Seul, na Coreia do Sul, e líder do estudo contestado, defendeu suas conclusões ao afirmar que o novo estudo apresenta "falhas metodológicas graves ou chega a conclusões que são internamente inconsistentes segundo sua própria lógica".

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A energia escura ainda é um mistério

Apesar das críticas, os autores da pesquisa mais recente demonstraram plena confiança em seus métodos e sustentam que a aceleração do universo é um fato incontestável. Ainda assim, a natureza física da energia escura permanece desconhecida.

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, e o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para agosto, podem trazer respostas importantes.

"Esperamos que os novos dados obtidos com o Vera Rubin e com o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman nos ajudem a entender melhor o que é, de fato, a energia escura", conclui Popovic.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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