Um bebê idealizado pode gerar frustração após o parto; descubra os motivos

Psicóloga explica que o pós-parto pode esconder um luto perinatal, e a idealização é um dos principais problemas

11 mar 2026 - 11h24

A idealização de um bebê muitas vezes começa antes da concepção, alimentada por desejos da infância e a vida adulta. Esse bebê imaginário possui temperamento, aparência e até um futuro planejado pelos pais. No entanto, quando o nascimento ocorre, o encontro com o bebê real pode gerar um choque profundo.

Entenda como o choque entre o bebê idealizado e o real pode causar luto perinatal e afetar a saúde mental materna.
Entenda como o choque entre o bebê idealizado e o real pode causar luto perinatal e afetar a saúde mental materna.
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, esse desencontro entre a fantasia e a realidade é o que caracteriza uma forma de luto perinatal simbólico.

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A especialista explica que "na verdade, o bebê vai existir na imaginação muito antes de a gestação acontecer", e essa personificação torna-se uma referência emocional que, se frustrada, exige um processo de elaboração psicológica.

O luto ao idealizar um bebê perfeito:

O luto não se restringe à perda física. Abrange perdas de expectativas fundamentais, como o sexo do bebê, a saúde do recém-nascido ou até o temperamento da criança. Um bebê excessivamente choroso ou uma condição de saúde inesperada podem desestruturar o roteiro planejado pela família.

Além disso, Rafaela Schiavo destaca que o parto que não ocorre conforme o desejado e as dificuldades na amamentação são gatilhos comuns para sentimentos. Os principais são:  incompetência e culpa. A pressão social pela maternidade instintiva silencia as mulheres, que evitam falar sobre suas angústias por medo de julgamento. "Quando a mulher não se sente assim, ela acha que tem algo errado com ela e evita falar", afirma a psicóloga, pontuando que a romantização excessiva é, por si só, um fator de risco.

O impacto desse luto pode evoluir para quadros de ansiedade elevada, irritabilidade e depressão pós-parto, especialmente quando há histórico de transtornos mentais ou falta de rede de apoio.

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O vínculo com o bebê real é construído no cotidiano, através do cuidado direto e da aceitação da ambivalência de sentimentos. Por fim, para mitigar esses riscos, a especialista defende a validação das emoções sem o uso de frases moralizantes. Assim, permite-se que a mulher processe a frustração de forma saudável.

*  Com informações de assessoria.

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