O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), à distribuição gratuita de semaglutida, princípio ativo utilizado em medicamentos conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A implementação começou em Porto Alegre através de um projeto-piloto batizado de Real-Bari. O estudo clínico vai fornecer o tratamento sem custos para 250 pacientes diagnosticados com obesidade grave, que passarão por um monitoramento contínuo conduzido por especialistas do Grupo Hospitalar Conceição, na capital gaúcha.
O foco inicial desta fase de testes integrará os pacientes que aguardam na fila regulada para a realização da cirurgia bariátrica e que necessitam perder peso de forma assistida para alcançar as condições clínicas exigidas para o procedimento cirúrgico seguro. A proposta central do Ministério da Saúde é avaliar de forma técnica, ao longo do tempo, os impactos clínicos na saúde dos usuários, a relação de custo-benefício e a viabilidade logística de incorporar esse tipo de terapia de forma definitiva à rede do SUS. O ministro Alexandre Padilha ressaltou o pioneirismo do Brasil na utilização dessa classe de medicamentos no sistema público e apontou que, futuramente, os benefícios desse monitoramento podem se estender ao tratamento de diabetes, outras doenças crônicas e até mesmo no suporte a pacientes oncológicos.
Dados estatísticos divulgados pelo Grupo Hospitalar Conceição revelam que 91% dos pacientes que sofrem com obesidade atendidos na instituição apresentam a forma mórbida da doença, sendo que, deste total, apenas 47% reúnem as condições clínicas necessárias para serem submetidos à cirurgia bariátrica imediatamente, tendo a hipertensão arterial como a comorbidade associada mais prevalente. Ao longo dos dois anos previstos para o acompanhamento do projeto-piloto, as equipes médicas vão analisar uma série de indicadores fundamentais, incluindo o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, os resultados de exames laboratoriais, as condições pós-operatórias dos indivíduos e os custos globais gerados pelo tratamento farmacológico.
O primeiro brasileiro a receber o medicamento pelo sistema público foi o motorista de aplicativo Guilherme Henrique Panichi, de 39 anos, morador do Rio Grande do Sul, que aguardava na fila de espera do SUS há mais de mil dias. Ele realizou a primeira aplicação da dose publicamente ao lado do ministro Alexandre Padilha e manifestou otimismo em relação ao tratamento, destacando a expectativa de recuperar o ânimo, a disposição física e uma participação mais ativa na sociedade. Para ingressar nos critérios de seleção da pesquisa, o paciente precisa estar em acompanhamento médico prévio no complexo do Grupo Hospitalar Conceição, possuir o diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano e comprovar que as abordagens clínicas tradicionais baseadas em reeducação alimentar e exercícios físicos não geraram resultados satisfatórios por um período mínimo de dois meses, além de possuir autonomia ou suporte de cuidadores para a autoaplicação semanal das doses.