Salário garantido: tenente-coronel acusado de matar a esposa vai para a reserva com R$ 21 mil mensais

Apesar da acusação de forjar a morte da esposa e de responder a um processo de expulsão, o tenente-coronel Geraldo Neto manterá o direito aos vencimentos na inatividade

2 abr 2026 - 11h36

A Polícia Militar de São Paulo publicou, nesta quinta-feira (2), a portaria de inatividade que transfere para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial está detido desde o dia 18 de março, acusado de um crime que chocou a corporação: o feminicídio de sua própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Mesmo atrás das grades no Presídio Militar Romão Gomes, Geraldo Neto continuará recebendo proventos proporcionais, estimados em cerca de R$ 21 mil mensais. Antes da prisão, seu salário bruto chegava a R$ 28,9 mil.

A decisão administrativa, assinada pela Diretoria de Pessoal da PM, ampara-se na legislação vigente, que garante a aposentadoria por tempo de serviço e idade, independentemente do processo criminal em curso. Embora a Corregedoria mantenha aberto um processo de expulsão que pode retirar sua patente, especialistas indicam que o direito ao dinheiro da reserva dificilmente será cassado, já que é considerado um patrimônio conquistado pelo tempo de contribuição.

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Portaria da PM que manda o tenente-coronel Geraldo Neto para a reserva com vencimentos integrais. —
Portaria da PM que manda o tenente-coronel Geraldo Neto para a reserva com vencimentos integrais. —
Foto: Reprodução/Diário Oficial / Perfil Brasil

Acusações contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa

A investigação da Polícia Civil foi o que desmantelou a versão inicial apresentada pelo oficial. Na manhã do crime, ocorrido no apartamento do casal no Brás, o tenente-coronel afirmou que Gisele havia se suicidado após uma discussão. No entanto, perícias técnicas revelaram que o celular da vítima foi desbloqueado e manuseado minutos após o disparo, enquanto ela já estava baleada. O tenente-coronel teria apagado mensagens cruciais do próprio aparelho para sustentar a narrativa de que ele era quem desejava a separação, quando, na verdade, os dados recuperados mostram Gisele pedindo o divórcio na noite anterior.

O histórico de abusos também apareceu durante o inquérito. Testemunhas relataram episódios de agressividade dentro do próprio quartel, incluindo registros de câmeras que flagraram o oficial pressionando a esposa contra a parede e segurando-a pelo pescoço. Relatos apontam que Geraldo chegou a ser impedido de entrar na unidade militar após discussões acaloradas antes do casamento. Para os investigadores, a fraude processual e o apagamento das mensagens foram tentativas desesperadas de esconder um padrão de violência doméstica que culminou no disparo fatal às 7h28 daquela manhã.

A defesa nega o crime e questiona a competência da Justiça Militar. Além disso, afirma que o oficial colaborou com as investigações.

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