Rússia vai ceder controle de bases na Síria, sob novo acordo

9 ago 2026 - 17h40

Governo sírio afirma que Moscou, antiga aliada do ditador Assad, concordou em ceder controle total de duas bases estratégicas na costa do Mediterrâneo, que passarão a ser usadas como "centros de treinamento conjunto".As forças russas na Síria abrirão mão do controle total de duas bases estratégicas na costa do Mediterrâneo, que passarão a ser utilizadas como centros de treinamento conjunto entre a Rússia e a Síria, conforme um novo acordo firmado entre os dois países, informou o Ministério das Relações Exteriores sírio neste domingo (09/08).

Imagem de satélite que mostra a base naval de Tartus
Imagem de satélite que mostra a base naval de Tartus
Foto: DW / Deutsche Welle

A Rússia foi a principal aliada política e militar do ditador deposto Bashar al-Assad durante a guerra civil do país, ocorrida entre 2011 e 2024. Assad foi derrubado em dezembro de 2024 por insurgentes islâmicos liderados pelo atual presidente interino, Ahmad al-Sharaa, e, desde então, refugiou-se na Rússia.

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Ao longo do conflito, a base aérea de Hmeimem e a base naval de Tartus foram postos militares russos fundamentais no Mediterrâneo oriental.

A base naval de Tartus entrou na esfera russa ainda década de 1970, após um acordo entre a União Soviética e a Síria, enquanto a base aérea de Hmeimim só foi construída e utilizada pelas tropas russas a partir de 2015 para aumentar a sua presença na intervenção de apoio ao regime de Assad.

Nos termos do novo acordo entre Damasco e Moscou, a Síria assumirá o controle do aeroporto de Hmeimem e do cais comercial do porto de Tartus, integrando-os à sua administração civil. Já as instalações militares em ambos os locais passarão a ser centros de "treinamento conjunto", afirmou o Ministério das Relações Exteriores. Na prática, o acordo acaba com o controle exclusivo da Rússia sobre os locais.

Os novos arranjos representam uma "reorganização da presença russa" ao longo da costa síria, acrescentou o ministério.

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"Essa medida marca o desenvolvimento mais significativo desde o início das negociações, há cerca de um ano e meio, abrindo caminho para uma nova fase nas relações sírio-russas", conclui o comunicado.

A Rússia não comentou imediatamente o acordo.

Após a insurgência relâmpago que levou à queda de Assad, a Rússia concedeu asilo ao ditador sírio e à sua família. Com a mudança de regime, as tropas russas que permaneciam na Síria deixaram o país gradualmente, com exceção daquelas estacionadas nas duas bases.

Apesar de estar no lado oposto da Rússia na guerra, a nova liderança da Síria tem buscado manter laços bilaterais com Moscou. Al-Sharaa visitou o líder Vladimir Putin em Moscou duas vezes desde que assumiu o poder, com as duas bases no Mediterrâneo pontos-chave das discussões.

Desde a queda de Assad, a Síria também fortaleceu seus laços com os Estados Unidos, a Europa e países árabes vizinhos que haviam rompido relações com Damasco durante a repressão de Assad. Washington suspendeu a maior parte das sanções severas impostas ao país, e o presidente francês, Emmanuel Macron, visitou a Síria em julho, ocasião em que anunciou que os dois países nomeariam embaixadores recíprocos pela primeira vez em 14 anos.

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jps (AP)

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