Quem pode liderar a ONU após saída de António Guterres?

28 jul 2026 - 14h06

Pela primeira vez em uma década, as Nações Unidas escolherão um novo secretário-geral. A DW apresenta os seis candidatos, suas propostas e os desafios que eles e a ONU terão pela frente.Após uma década no cargo, António Guterres encerrará seu segundo mandato como secretário-geral da ONU em 31 de dezembro. Atualmente, seis candidatos disputam a sucessão. Quem sair vitorioso terá uma tarefa difícil, em meio a questionamentos cada vez mais intensos sobre a relevância, o poder e a capacidade financeira da organização.

O secretário-geral da ONU é "ao mesmo tempo diplomata e defensor de causas, servidor público e CEO", segundo a própria organização. O ocupante do cargo supervisiona vários órgãos fundamentais da ONU, incluindo o Conselho de Segurança, encarregado de manter a paz e a segurança internacionais.

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O candidato vencedor será escolhido pela Assembleia Geral da ONU mediante recomendação do Conselho de Segurança (cujos membros permanentes são China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), tornando o caminho até a vitória estreito e repleto de obstáculos.

Veja o que você precisa saber sobre cada candidato:

Michelle Bachelet

A primeira mulher a ocupar a Presidência do Chile (de 2006 a 2010 e novamente de 2014 a 2018) também quer se tornar a primeira mulher secretária-geral da ONU, depois que várias candidatas foram derrotadas por Guterres em 2016.

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"Se eu for educada, diria que o mundo não estava preparado para isso. Está preparado agora? Espero que sim", afirmou Bachelet, de 74 anos, no início deste ano. "Seria um sinal muito positivo", disse ela, acrescentando que isso representaria esperança para muitas pessoas.

Bachelet também atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022, função que a colocou diretamente em contato com muitos dos principais desafios geopolíticos que enfrentaria caso fosse eleita. Embora admita não ter uma "fórmula mágica" para resolver os problemas do Conselho de Segurança, ela destaca sua experiência como um dos seus principais trunfos.

Rafael Mariano Grossi

O diplomata argentino passou grande parte da carreira nas áreas de energia nuclear e atômica, culminando com sua nomeação, em 2019, como diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organização autônoma vinculada à ONU.

Diante do atual cenário geopolítico, em que a ameaça de uma guerra nuclear é percebida como crescente, Grossi considera sua trajetória "claramente uma vantagem". "É preciso compreender o mundo em que a gente vive", declarou ao veículo suíço Geneva Solutions.

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Grossi, de 65 anos, apoia a atual iniciativa de reforma da ONU conhecida como UN80 e afirma que "não há necessidade de reinventar a roda". No entanto, defende tornar a organização mais eficiente por meio da fusão de entidades da ONU e da redução de "duplicações, triplicações e até quadruplicações ou quintuplicações de estruturas", que geram custos significativos para os Estados-membros.

Maria Fernanda Espinosa

Nascida na Espanha, a equatoriana Maria Fernanda Espinosa acumulou uma trajetória extensa ao longo de seus 61 anos. Além de ter ocupado o cargo de ministra das Relações Exteriores do Equador, ela é poeta, ensaísta e especialista em desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, especialmente na região amazônica, onde trabalhou com comunidades indígenas no início de sua carreira.

Em entrevista ao jornal britânico The Observer, Espinosa reconheceu as dificuldades orçamentárias enfrentadas pela ONU. "O maior desafio neste momento é o desafio financeiro", afirmou. Segundo ela, a organização precisa "se reformar, se transformar ou morrer".

Para viabilizar essa transformação, Espinosa pretende colaborar mais estreitamente com organizações regionais e contar com o apoio da Europa, tanto em termos financeiros quanto como uma "construtora de pontes" entre Estados com interesses e objetivos divergentes.

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Rebeca Grynspan

Ex-vice-presidente da Costa Rica de 1994 a 1998, Grynspan é atualmente secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), organismo que defende os interesses dos países em desenvolvimento nas negociações comerciais.

Seu trabalho na negociação doacordo que permitiu a continuidade das exportações de grãos da Ucrânia após a invasão russa de 2022 recebeu amplo reconhecimento.

Grynspan acredita que a ONU precisa agir com mais coragem. "As burocracias são naturalmente muito avessas ao risco, e assim não se consegue ter boas ideias nem assumir riscos", afirmou recentemente durante um evento promovido pelo centro de estudos Chatham House, em Londres.

Ela também defende uma representação mais ampla no Conselho de Segurança, especialmente para países da África e da América Latina.

Macky Sall

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Sall foi presidente do Senegal entre 2012 e 2024, após ter servido anteriormente como primeiro-ministro do país.

Durante sua presidência, o Senegal registrou importantes avanços em infraestrutura. No entanto, sua popularidade começou a cair em 2021, durante o segundo mandato, após protestos relacionados à prisão do líder da oposição, Ousmane Sonko.

Sua tentativa fracassada de adiar a eleição presidencial de 2024, que desencadeou novos protestos violentos, fez dele uma figura divisiva em seu país.

O governo senegalês inicialmente não apoiou sua candidatura ao cargo na ONU, mas mudou de posição no mês passado e passou a respaldar a campanha do político de 64 anos.

Carolyn Rodrigues Birkett

Última candidata a entrar na disputa, Carolyn Rodrigues Birkett, de 52 anos, oficializou sua candidatura em meados de junho. Ela é representante permanente da Guiana junto às Nações Unidas e já desempenhou funções tanto na ONU quanto no governo de seu país, incluindo o cargo de ministra das Relações Exteriores.

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Rodrigues Birkett é ameríndia (pertencente aos povos indígenas das Américas) e também ocupou cargos governamentais ligados a essas comunidades.

Recentemente, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, apresentou a visão dela para a ONU.

"A visão da embaixadora Rodrigues Birkett para as Nações Unidas está centrada no fortalecimento do multilateralismo, no aumento da eficácia e da capacidade de resposta da organização, na promoção de uma governança global inclusiva e na garantia de que as Nações Unidas continuem aptas a enfrentar os desafios contemporâneos", afirmou.

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