O Rio Grande do Sul deve sofrer os impactos de um "super El Niño" até junho de 2027, mantendo o risco de temporais e inundações. Segundo pesquisadores da UFRGS, a defasagem na transferência de calor do Pacífico para a atmosfera gera o efeito de "repique", prolongando chuvas intensas no outono, mesmo com o fenômeno enfraquecido. O cenário repete padrões de cheias históricas, como as de 1941, 1983 e 2024, exigindo manutenção das medidas de prevenção e monitoramento constante pela Defesa Civil.
O Rio Grande do Sul poderá continuar sob influência do El Niño até junho de 2027, mesmo que o fenômeno comece a perder força nos primeiros meses do ano. Estudos apontam que os efeitos do aquecimento do Oceano Pacífico podem demorar a aparecer na atmosfera e prolongar o risco de chuvas acima da média, temporais e inundações no Estado. A preocupação está relacionada ao chamado efeito de "repique", que pode provocar uma nova fase de precipitações intensas no outono do ano seguinte ao início do fenômeno.
De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), existe uma defasagem de aproximadamente três meses entre o pico de aquecimento do oceano e seus efeitos sobre o clima no Sul do Brasil. Assim, mesmo que o El Niño comece a enfraquecer por volta de março, os impactos podem persistir até junho.
O hidrólogo Fernando Fan, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, explica que a energia acumulada no oceano não é dissipada imediatamente. O processo de transferência para a atmosfera leva tempo, especialmente em regiões distantes do Pacífico, como o Sul da América do Sul.
Histórico acende alerta para o outono
O chamado efeito de "repique" é caracterizado por um novo pulso de chuvas anômalas no final do outono do ano seguinte ao início do El Niño. Episódios semelhantes foram observados em 1941, 1983 e 2024, quando o Rio Grande do Sul enfrentou grandes enchentes.
Em 2024, por exemplo, a fase mais intensa das chuvas ocorreu em maio, quando o fenômeno já estava enfraquecendo no Pacífico Equatorial. Em 1983, uma segunda onda de precipitações também atingiu o Estado durante o mesmo mês.
O climatologista Francisco Eliseu Aquino, da UFRGS, afirma que as condições atmosféricas podem voltar a favorecer eventos extremos entre abril e maio de 2027. Segundo ele, isso não significa que uma enchente com as mesmas proporções da registrada em 2024 irá se repetir, mas indica a possibilidade de chuva mais frequente e acima da média.
El Niño já é considerado muito forte
O fenômeno climático já atingiu a categoria de intensidade muito forte, também chamada de super El Niño. A expectativa é de que o pico de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial ocorra no final de 2026.
Um boletim do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) também aponta dois períodos de maior atenção para o Rio Grande do Sul: a primavera de 2026 e o outono de 2027.
A influência do El Niño aumenta a probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul, mas a ocorrência e a intensidade de eventos extremos também dependem de outros fatores, como bloqueios atmosféricos e as condições de temperatura do Oceano Atlântico.
Por isso, especialistas reforçam que autoridades e população devem manter medidas de prevenção e acompanhar as atualizações meteorológicas e os alertas da Defesa Civil ao longo dos próximos meses.