Defesa Civil monitora retorno do El Niño e alerta para riscos ao RS

O fenômeno possui um histórico recente de impactos severos no estado, tendo atuado como um dos catalisadores das enchentes históricas registradas entre 2023 e 2024

2 abr 2026 - 10h03

O cenário meteorológico gaúcho volta a entrar em estágio de atenção com a divulgação de novas projeções climáticas que apontam para o possível ressurgimento do El Niño ainda no segundo semestre deste ano. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, possui um histórico recente de impactos severos no estado, tendo atuado como um dos catalisadores das enchentes históricas registradas entre 2023 e 2024. De acordo com estimativas da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, os modelos atuais começam a desenhar a formação do sistema para os próximos meses, o que exige monitoramento constante das autoridades e da população.

Foto: Freepik / Porto Alegre 24 horas

Conforme explica o meteorologista Bruno Ribeiro, da Defesa Civil estadual, a configuração deste fenômeno influencia diretamente o regime de precipitação na região Sul do Brasil. A tendência principal é de que ocorram chuvas acima da média, com um risco acentuado durante a primavera de 2026, período em que a interação atmosférica costuma ser mais intensa. Além do volume elevado de água, o especialista alerta para uma maior frequência de tempestades, que podem se manifestar com forte intensidade em pontos isolados do território gaúcho.

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Apesar do alerta, os especialistas ponderam que a confirmação da formação do fenômeno não é uma garantia de que eventos catastróficos como os dos anos anteriores se repetirão na mesma magnitude. Ribeiro ressalta que, embora o El Niño estivesse presente nos episódios críticos de 2023 e 2024, outros componentes meteorológicos foram determinantes para o desastre, como a persistência de frentes estacionárias e a ocorrência de bloqueios atmosféricos que impediam o avanço das instabilidades. Tais fatores somaram-se ao aquecimento do Pacífico para gerar os acumulados extremos de chuva observados naquelas ocasiões.

É importante destacar que previsões climáticas realizadas com muitos meses de antecedência possuem uma margem de variabilidade e estão sujeitas a alterações. O cenário para o final de 2026 continuará sendo reavaliado conforme novas atualizações dos modelos globais de monitoramento sejam publicadas. A Defesa Civil reforça que o foco atual é a preparação e a vigilância, garantindo que o estado esteja pronto para lidar com as variações de instabilidade climática e o aumento da umidade previstos para o ciclo que se aproxima.

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