Possíveis câmaras ocultas atrás da tumba de Tutancâmon reacendem teoria sobre paradeiro de Nefertiti

1 out 2026 - 08h55
Resumo
Novos estudos com radar e microgravimetria reforçaram a teoria de que a tumba de Tutancâmon oculta câmaras secretas. Segundo pesquisadores, o local pode ser parte de um complexo funerário mais amplo originalmente projetado para a rainha Nefertiti, cuja tumba jamais foi encontrada. As análises indicam possíveis cômodos ao norte da estrutura, mas a confirmação depende de futuras inspeções físicas autorizadas pelas autoridades egípcias, já que especialistas ainda consideram os dados inconclusivos.

Pesquisadores encontraram indícios de câmaras secretas atrás das paredes da famosa tumba do faraó. Se confirmadas, elas podem integrar um complexo funerário mais amplo, possivelmente associado a Nefertiti.Poucas descobertas tiveram um impacto comparável ao da tumba de Tutancâmon, encontrada pelo arqueólogo britânico Howard Carter em 1922. Mais de um século depois, a descoberta continua a fascinar. Embora pareça que já se sabe tudo sobre um dos maiores ícones da arqueologia, suas paredes ainda podem guardar segredos. Em especial, uma pergunta continua rondando o mundo da egiptologia: a tumba de Tutancâmon era realmente todo o complexo funerário?

Segundo a hipótese dos pesquisadores, Nefertiti, esposa de Akhenaton, seria a destinatária original do complexo funerário
Segundo a hipótese dos pesquisadores, Nefertiti, esposa de Akhenaton, seria a destinatária original do complexo funerário
Foto: DW / Deutsche Welle

Um novo estudo publicado pelo Occasional Papers of the Amarna Royal Tombs Project reacendeu esse debate. O trabalho revisa sete trabalhos de campo realizados desde 2015, incluindo campanhas feitas em 2023 e 2024, e retoma uma hipótese formulada há uma década pelo egiptólogo britânico Nicholas Reeves.

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Segundo sua proposta, a KV62 - como é catalogada a tumba de Tutancâmon - poderia fazer parte de um complexo funerário mais amplo do que se supunha. Mas a hipótese vai ainda mais longe. Atrás de suas paredes poderiam existir outras câmaras que, de acordo com Reeves, integrariam um complexo funerário originalmente destinado à rainha Nefertiti, contemporânea de Tutancâmon.

Uma tumba pequena demais para um faraó

A suspeita nasce de uma peculiaridade que já intrigava o próprio Carter. A tumba parecia pequena demais para um faraó. Tutancâmon chegou ao trono ainda criança e morreu de forma inesperada cerca de uma década depois, circunstância que, segundo a hipótese de Reeves, pode ter levado seus contemporâneos a buscar rapidamente uma solução para seu sepultamento. A partir daí, o egiptólogo propôs que os aposentos ocupados pelo jovem rei fossem apenas a parte externa de um complexo anterior, adaptado e selado após sua morte.

Os autores também apontam a arquitetura como um argumento compatível com essa possibilidade. A KV62 faz uma curva para a esquerda e, segundo o estudo, essa orientação não se encaixa nem na arquitetura de uma tumba privada nem na de um faraó. A conclusão é ainda mais específica. "A planta seguida pela tumba de Tutancâmon é a de uma rainha da 18ª dinastia", diz o estudo.

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Os pesquisadores também sustentam a hipótese com base em uma interpretação das pinturas da tumba. O site Gizmodo explica que a cena da parede norte mostra Ay, sucessor de Tutancâmon, realizando a cerimônia da "abertura da boca" sobre o faraó morto. No entanto, os pesquisadores sugerem que a cena poderia originalmente representar Tutancâmon realizando o mesmo ritual para seu próprio antecessor. Na interpretação deles, esse antecessor seria Smenkhkare, figura que identificam como a própria Nefertiti.

Esposa de Akhenaton e uma das figuras centrais do período de Amarna, no século 14 a.C., Nefertiti jamais teve sua tumba localizada.

Radar e microgravimetria

Para verificar o que pode existir além das paredes da KV62, diferentes equipes recorreram, na última década, a técnicas não invasivas. As pesquisas mais recentes combinaram radar de penetração no solo, microgravimetria (técnica que mede pequenas variações na aceleração da gravidade) e outros métodos de prospecção.

Segundo o Amarna Royal Tombs Project, as campanhas de 2023 e 2024 forneceram novo respaldo científico à ideia de que a estrutura é anterior ao sepultamento de Tutancâmon e mais extensa do que se imaginava.

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Os resultados são sugestivos, embora ainda não definitivos. Segundo o site IFL Science, os pesquisadores acreditam que possa existir um complexo que se estende por cerca de 25 a 30 metros ao norte da tumba e que talvez contenha cinco ou seis câmaras. É possível que esses espaços estejam interligados e conectados à KV62 por passagens deliberadamente bloqueadas com entulho na Antiguidade.

Mesmo assim, o próprio estudo adota cautela. Os autores consideram que os dados permitem reconstruir com razoável consistência a disposição dessas estruturas, embora haja limitações para entender seu tamanho e outros detalhes.

Se a hipótese for confirmada, Mamdouh Eldamaty, principal pesquisador do estudo, considera que a descoberta terá importância arqueológica "excepcional".

As dúvidas dos especialistas e o próximo passo

Mas mesmo a comprovação da existência de novas câmaras não resolveria automaticamente o mistério. A revista Smithsonian Magazine reuniu ponderações de vários especialistas. Ray Johnson, ex-diretor do Epigraphic Survey do Instituto para o Estudo das Culturas Antigas (prestigiado projeto de documentação arqueológica da Universidade de Chicago) considera os dados "muito tentadores", mas adverte que essas câmaras podem não abrigar Nefertiti e podem ter sofrido danos provocados por inundações. Christopher Gaffney, arqueólogo da Universidade de Bradford, considera os resultados fascinantes, mas ainda inconclusivos, enquanto Peter Styles, geofísico da Universidade de Keele, pede mais informações.

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Por enquanto, confirmar se esses espaços realmente existem e determinar o que contêm exigiria acesso físico a pelo menos um deles. A equipe pretende verificar isso abrindo uma pequena passagem que permita observar o interior com uma câmera, mas antes precisará obter autorização das autoridades do Egito.

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