Luciano Borges Costi, de 49 anos, morador de Capão Novo, morreu nesta quarta-feira (12), após permanecer internado à espera de transferência para um hospital de alta complexidade. Com aproximadamente 380 quilos, ele estava internado desde 25 de julho no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa. Uma decisão judicial emitida na quarta-feira (5) havia determinado que o paciente fosse transferido para uma unidade adequada em até 48 horas, prazo que terminou na sexta-feira (7), mas a determinação não foi cumprida.
A ação judicial foi movida contra o IPE Saúde, plano do qual Luciano era segurado. Segundo o advogado Márcio Tubino, amigo do paciente e responsável por ingressar com a ação, a equipe médica que acompanhava Luciano já havia indicado a necessidade de transferência para um serviço de alta complexidade dois dias após sua internação. Antes de ser levado ao hospital, o paciente passou mal no apartamento onde morava e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Onze profissionais de saúde e bombeiros participaram da operação de transporte.
A estrutura do hospital também dificultava o atendimento. Como a unidade não possuía uma maca capaz de suportar o peso de Luciano, ele permaneceu acomodado em uma cama improvisada sobre paletes. Conforme o relato de Tubino, o paciente desenvolveu lesões na pele que evoluíram para uma infecção generalizada enquanto aguardava o cumprimento da decisão judicial. A situação se agravou ao longo dos dias em que permaneceu internado.
Um leito em Porto Alegre foi disponibilizado na terça-feira (11), mas, segundo o advogado, Luciano já não apresentava condições clínicas para ser transferido. Ele morreu no dia seguinte, após permanecer mais de duas semanas internado. O caso chama atenção para as dificuldades estruturais enfrentadas no atendimento de pacientes que necessitam de equipamentos e unidades especializadas para transferência e tratamento.