Zelenskiy alerta Rússia para um inverno doloroso caso negociações para trégua energética fracassem

23 set 2026 - 17h49
Resumo
Na ONU, Volodymyr Zelenskiy alertou que a Ucrânia retaliará ataques à sua infraestrutura energética, tornando o inverno rigoroso também para a Rússia, caso não haja uma trégua no setor e nas rotas do Mar Negro. Com o apoio de drones de longo alcance, Kiev busca pressionar Moscou por um cessar-fogo limitado antes da chegada do frio. No entanto, o chanceler russo Sergei Lavrov rejeitou pausas temporárias nos combates, reafirmando que o país seguirá com seus objetivos militares inalterados.

O presidente ‌ucraniano Volodymyr Zelenskiy advertiu Moscou na Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira que a Ucrânia deve retaliar e tornar o inverno que se aproxima extremamente doloroso para a Rússia, caso as duas partes não consigam chegar a um acordo sobre uma trégua para os ataques a instalações de energia antes que o frio se instale.

A Ucrânia e seus aliados correm contra o tempo para garantir acordos relacionados à infraestrutura energética e ⁠navegação no Mar Negro antes do inverno, temendo novos ataques russos a instalações de energia e aquecimento, enquanto ‌Moscou continua demonstrando pouco interesse em negociações mais amplas para pôr fim à guerra.

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"Os ucranianos entendem que este inverno pode ser muito rigoroso para nós. Mas, em resposta, não teremos outra escolha a não ser ‌torná-lo doloroso também para a Rússia", disse Zelenskiy à Assembleia Geral ‌da ONU durante o encontro anual de líderes mundiais em Nova York.

Embora a Rússia possua um ⁠arsenal de mísseis muito maior, que tem usado para bombardear seu inimigo ao longo da guerra, a Ucrânia desenvolveu e utilizou milhares de drones de longo alcance para contra-atacar armazéns russos, infraestrutura portuária e refinarias de petróleo.

"É exatamente por isso que dizemos que são necessárias medidas de distensão antes do inverno", disse Zelenskiy, pedindo uma diplomacia mais robusta e destacando a influência que o presidente chinês, Xi Jinping, poderia exercer sobre ‌o presidente russo, Vladimir Putin.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, manteve conversas com o secretário ‌de Estado dos EUA, Marco Rubio, ⁠nesta quarta-feira. Após o encontro, ⁠Rubio afirmou que tanto a Ucrânia quanto a Rússia haviam manifestado interesse em um cessar-fogo limitado envolvendo alvos relacionados a ⁠grãos e energia.

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No entanto, não houve sinal imediato de ‌qualquer mudança na posição russa.

Um comunicado ‌do Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que, na reunião, o país havia "reafirmado seu compromisso incondicional com a consecução dos objetivos de sua operação militar especial" -- expressão que Moscou usa para descrever sua guerra na Ucrânia.

Dirigindo-se aos 15 membros do Conselho de Segurança à margem da reunião anual da ⁠ONU com líderes mundiais, Lavrov indicou que Moscou não deve aceitar qualquer cessação temporária das hostilidades.

"A Europa, independentemente do que pense, só quer uma pausa e pretende aproveitá-la para abastecer o regime de Kiev com armas", afirmou em uma sessão do Conselho dedicada à guerra na Ucrânia.

Os principais diplomatas do Reino Unido, França e Dinamarca aproveitaram seus discursos para proferir fortes ‌condenações à guerra da Rússia, alertando de diversas maneiras para uma escalada perigosa e o aumento no número de mortes de civis. 

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Zelenskiy aproveitou seu discurso na Assembleia Geral para destacar o papel de Putin como ⁠impulsionador da guerra, descrevendo-o repetidamente de forma sarcástica como "paciente zero" e "aquele de quem essa ideia de guerra continua se espalhando cada vez mais".

"É por isso que o 'paciente zero' deve ser detido. É preciso negar a ele o espaço para agir -- e o espaço para espalhar ainda mais esse mal", afirmou.

Zelenskiy disse aos líderes, durante cúpula da "Plataforma da Crimeia" realizada paralelamente à ONU, que Kiev está pronta para uma trégua marítima no Mar Negro com base em propostas como as apresentadas pelo Egito, pela Índia e pela Turquia.

"Estamos aguardando a resposta da Rússia. A Ucrânia está pronta... para garantir a segurança da navegação e a segurança alimentar no Mar Negro, caso a Rússia também esteja disposta a tomar medidas concretas para a redução da tensão. Temos que começar por algum lugar", disse.

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Os principais importadores de trigo na Ásia, no Oriente Médio e na África, que dependem da região do Mar Negro para o abastecimento, têm enfrentado dificuldades para garantir seus suprimentos. Os preços globais do trigo dispararam.

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