Wildberries, conhecida como "Amazon da Rússia", diz que drones ucranianos atacaram mais três de seus armazéns

24 jul 2026 - 09h29

A gigante russa do comércio eletrônico ‌Wildberries, considerada a versão moscovita da Amazon, informou nesta sexta-feira que mais três de seus armazéns foram atacados pela Ucrânia durante a madrugada, como parte de uma campanha cada vez mais ampla de Kiev para prejudicar a economia e as cadeias logísticas da Rússia.

Um vídeo da Reuters gravado no local dos ataques em São Petersburgo e arredores mostrou ⁠duas gigantescas nuvens de fumaça densa subindo em direção ao céu.

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Tatyana Kim, fundadora da Wildberries ‌e a mulher mais rica da Rússia, disse que os últimos ataques tiveram como alvo armazéns em São Petersburgo, na região vizinha de Leningrado e em Simferopol, a ‌principal cidade da Crimeia controlada pela Rússia.

"Conseguimos salvar algumas ‌das instalações e mercadorias. Gostaria de agradecer à nossa equipe, nossos heróis - uma ⁠retirada rápida foi realizada em todos os armazéns", disse Kim em comunicado. "De acordo com relatórios preliminares, não houve vítimas."

"Todos os nossos esforços estão agora voltados para a redistribuição de mercadorias entre nossos armazéns, a fim de garantir uma rotação de estoque mais eficiente e a estabilidade econômica de nossos parceiros", disse ela.

A Wildberries, cuja divisão bancária teve sanções ‌impostas pela União Europeia nesta semana devido à sua contribuição financeira para o orçamento russo, ‌desempenha um papel central na ⁠economia de consumo da ⁠Rússia. O fato de ter sido alvo da Ucrânia parece fazer parte das tentativas de Kiev ⁠de garantir que os russos comuns sintam o ‌impacto da guerra que assola ‌o território ucraniano há mais de quatro anos.

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VENDEDORES ENFRENTAM PERDAS GRAVES

A quarta onda de ataques contra as instalações da Wildberries desde o último fim de semana, ameaça causar graves prejuízos às empresas que vendem por meio da Wildberries e possíveis transtornos ⁠aos clientes que a utilizam para comprar roupas, eletrodomésticos, medicamentos, cosméticos e uma série de outros produtos.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, descreveu os alvos como centros logísticos envolvidos no fornecimento de componentes para drones e outros equipamentos às forças russas. O Kremlin negou que a Wildberries lide com suprimentos ‌militares. Kim acusou a Ucrânia de atacar pessoas comuns que estão apenas fazendo seu trabalho.

Oito armazéns da Wildberries, responsáveis por mais de 10% da capacidade logística da empresa, já ⁠foram atacados desde 18 de julho, quando o primeiro ataque à varejista matou oito trabalhadores.

Kim afirmou que a empresa está trabalhando sem parar para tentar manter a qualidade de seus serviços.

Dois pedidos feitos na Wildberries desde o fim de semana por repórteres da Reuters foram atendidos total ou quase totalmente dentro do prazo. Outros dois pedidos ainda estavam sendo processados. Em condições normais, a Wildberries consegue processar mais de 20 milhões de pedidos por dia.

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Juntamente com rivais menores, a Wildberries e sua principal concorrente, a Ozon, vendem bens e serviços no valor equivalente a 8,5% do produto interno bruto da Rússia e empregam 4 milhões de pessoas, ou mais de 5% da força de trabalho do país.

A própria Rússia tem como alvo os centros logísticos da Ucrânia, bem como seu sistema energético e sua rede elétrica.

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