"Estamos em discussões com os iranianos e acho que há uma chance de chegarmos hoje ou amanhã (quarta-feira, dia 5 de agosto) a um acordo para reabrir o estreito e avançar rumo à normalização", afirmou Bessent em entrevista à emissora CNBC. Segundo ele, o objetivo seria garantir a liberdade de navegação na região, por onde passa uma parcela significativa do comércio global de hidrocarbonetos.
O presidente Donald Trump também demonstrou otimismo e afirmou que negociações com o Irã estão em curso "neste exato momento". Na segunda-feira (2), ele chegou a dizer que a reabertura da via marítima poderia ocorrer rapidamente e classificou as conversas como uma última oportunidade para Teerã aceitar um acordo.
Irã continua negando conversas diretas
Do lado iraniano, porém, a versão é diferente. O Ministério das Relações Exteriores do país negou qualquer negociação direta com os Estados Unidos e afirmou que as discussões em andamento ocorrem exclusivamente com Omã, mediador tradicional entre as duas partes, e têm como foco a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou a existência de conversas envolvendo Omã e Irã e disse que houve "progressos" nos últimos dias. Segundo ele, as negociações buscam permitir que mais embarcações atravessem a região em segurança no curto prazo. Apesar do avanço, Rubio reconheceu que nenhum acordo definitivo foi alcançado até o momento.
Navio atingido na região
A tensão, no entanto, permanece elevada. Nas últimas horas, um navio voltou a ser atingido na região, enquanto outro incidente foi registrado próximo às águas do Iêmen. A Índia informou que uma embarcação comercial do país foi atingida por um projétil e afundou após um "ataque não provocado". Os 14 tripulantes foram resgatados pelas autoridades iemenitas.
Também nesta terça-feira, operações foram suspensas em um aeroporto do sudoeste da Arábia Saudita após um ataque reivindicado pelos rebeldes houthis, aliados do Irã. Segundo uma fonte do Golfo, o principal radar da instalação foi atingido, provocando a interrupção das atividades.
O Estreito de Ormuz está no centro da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã nas últimas semanas. Embora autoridades americanas ressaltem que navios continuam transitando pela região e que o fluxo de petróleo não foi interrompido completamente, centenas de embarcações aguardam condições mais seguras para retomar suas rotas.
Washington aposta que um eventual acordo ajudaria a reduzir a volatilidade dos mercados e a estabilizar os preços da energia em nível global.
RFI com agências