O Vaticano reiterou nesta terça-feira (24) a oposição da Igreja Católica a qualquer forma de poligamia, defendendo que "o casamento cristão é monogâmico".
A declaração consta em um documento do Sínodo dos Bispos, que segue uma posição anunciada em novembro pelo Dicastério para a Doutrina da Fé. A posição ecoa também uma declaração do SECAM, órgão que reúne as conferências episcopais da África, continente onde a poligamia é mais difundida.
O dossiê do Sínodo destaca que a poligamia não pode ser aceita pela Igreja, independentemente das práticas culturais locais: "O matrimônio cristão é monogâmico por sua natureza teológica e não por imposição cultural".
O texto pastoral orienta que catecúmenos que praticam a poligamia não devem ser admitidos ao batismo antes de assumir livremente o compromisso com o casamento monogâmico.
Por fim, o Vaticano esclarece que a orientação não tem caráter de "exclusão ou estigmatização", mas busca um "acompanhamento paciente e respeitoso, inspirado na misericórdia de Cristo", com atenção especial à dignidade da mulher.
Em novembro passado, a Santa Sé já havia divulgado uma nota doutrinal, aprovada pelo papa Leão XIV, na qual defendia a monogamia e criticava o poliamor e a poligamia.
Intitulado "Uma só carne. Em Louvor à Monogamia", o texto reforça que "só duas pessoas podem se entregar plena e completamente uma à outra; caso contrário, a doação torna-se parcial e não respeita a dignidade do outro".
Além disso, enfatizou o valor do casamento para a Igreja Católica como uma "união exclusiva e de pertencimento mútuo".
O documento foi divulgado poucos meses após associações tradicionalistas de diversos países enviarem uma carta ao Leão XIV pedindo para ele revogar a controversa declaração "Fiducia Supplicans", com a qual o finado papa Francisco permitiu a bênção pastoral para casais homoafetivos.
Na ocasião, as entidades pediram para Robert Prevost reafirmar os valores tradicionais da Igreja Católica sobre a família.