Ucrânia vai intensificar ataques contra refinarias russas, diz Zelensky

A Ucrânia vai intensificar os ataques contra refinarias russas em resposta à nova estratégia de bombardeios aéreos conduzida por Moscou. Segundo Kiev, o objetivo é levar a população a deixar a capital e outras cidades, sem que isso implique em ataques deliberados contra civis. A declaração foi feita neste sábado (3) pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

3 out 2026 - 16h02
Resumo
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que intensificará os ataques contra refinarias russas em resposta às investidas de Moscou contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Segundo Kiev, a Rússia planeja atacar alvos civis no inverno devido a perdas no front, enquanto as forças ucranianas retomaram áreas no Donbass. Apesar dos apelos dos EUA para conter tais ações e tentar negociar a paz, Zelensky rejeitou ceder sem garantias reais e cobrou pressa no desenvolvimento de armas locais.

Segundo o presidente ucraniano, os serviços de inteligência do país obtiveram documentos que mostram que o presidente russo, Vladimir Putin, definiu uma "nova doutrina" que prevê ataques militares contra alvos civis, com a aproximação do inverno. "Vimos esses documentos e sabemos que eles permitem atacar infraestruturas, a logística, estradas, escolas e hospitais para pressionar a população a deixar a capital e outras cidades", afirmou. 

De acordo com Zelenski, essa mudança de doutrina se explica pela intenção de Putin de demonstrar força em um momento em que o Exército russo perde terreno na linha de frente e sofre baixas cada vez maiores. O Kremlin não estava disponível neste sábado para comentar as informações. 

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Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que continuaria realizando ataques contra Kiev e outras cidades ucranianas e recomendou que cidadãos estrangeiros e diplomatas deixassem Kiev. Os dois lados negam atacar deliberadamente civis. 

Ainda de acordo com Zelenski, uma contraofensiva ucraniana em andamento, batizada de "Vivaldi", permitiu a retomada de cerca de 140 quilômetros quadrados na região do Donbass, no leste da Ucrânia, cujo controle total é reivindicado pela Rússia. 

Negociações

Nas últimas semanas, o governo do presidente americano Donald Trump tem buscado relançar as negociações para encerrar o conflito, iniciado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 e considerado o mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. 

No fim de setembro presidente ucraniano se reuniu com Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para discutir formas de pôr fim à guerra entre Ucrânia e Rússia. Em 13 de setembro, o presidente americano pediu a ele que deixasse de atacar refinarias russas produtoras de diesel, associando implicitamente a alta dos preços do combustível nos Estados Unidos à guerra na Ucrânia, e não ao conflito no Oriente Médio. 

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, em 23 de setembro de 2026.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, em 23 de setembro de 2026.
Foto: RFI

Segundo Zelensky, nada indica que Putin esteja interessado em negociações de paz ou em um cessar-fogo voltado às infraestruturas energéticas. Nos últimos meses, a Rússia impôs diversas restrições às exportações de gasolina, querosene e diesel para conter a alta dos preços dos combustíveis e enfrentar as consequências dos ataques de drones ucranianos contra refinarias. 

Na quarta-feira, a Rússia voltou a atacar a rede energética ucraniana, com bombardeios que atingiram Kiev e sua região, deixando sete mortos, entre eles uma criança. Na sexta-feira, outro ataque aéreo russo matou uma pessoa em Kiev e levou ao fechamento, durante a manhã, de duas pontes sobre o rio Dnipro, que atravessa a capital ucraniana. 

"Temos de responder com todos os meios à nossa disposição. Diante dos ataques ao nosso setor energético, devemos responder atingindo o setor energético deles. Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo, que fornecem os recursos necessários para financiar esta guerra", declarou Zelenski. "Mas não responderemos, evidentemente, da mesma forma que eles fazem, atingindo alvos civis", acrescentou. 

Perspectivas de paz 

O presidente ucraniano pediu a Washington que não normalize suas relações com a Rússia antes de garantir perspectivas concretas de paz, reagindo ao convite feito por Donald Trump para que Vladimir Putin participe da cúpula do G20 prevista para dezembro, em Miami. 

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A decisão dos Estados Unidos de permitir a participação da Rússia em uma reunião do G20 no início de setembro, ao mesmo tempo em que restringiu o acesso de jornalistas ao encontro, já havia provocado irritação entre alguns ministros das Finanças dos países-membros. 

Zelenski afirmou estar disposto a se reunir com Putin para discutir a paz durante o G20, mas ressaltou que não se deve simplesmente buscar uma "normalização" das relações com Moscou. 

Autoridades ucranianas afirmam que a Rússia armazenou centenas de mísseis balísticos para uma ofensiva de inverno contra as infraestruturas elétricas e hidráulicas da Ucrânia. No inverno europeu passado, considerado o mais duro desde o início da guerra, bombardeios russos deixaram vastas regiões do país sem eletricidade e aquecimento durante vários dias consecutivos. 

Desde o verão, Moscou também passou a lançar diariamente dezenas de drones Shahed a jato, rápidos e relativamente baratos, colocando sob forte pressão as defesas antiaéreas ucranianas. 

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Segundo Zelenski, a Ucrânia recorreu intensamente a seus caças F-16 e MiG para derrubar cerca de 60% desses drones, mas os estoques de munição utilizados pelas aeronaves estão se esgotando. 

Novos drones

Kiev trabalha em alternativas, entre elas o reforço das capacidades de interferência eletrônica. Na semana passada, Zelenski anunciou que a Ucrânia desenvolve cinco modelos de drones interceptadores capazes de derrubar os Shahed a jato.

"Espero que, com todos esses elementos, encontremos uma solução", disse. A Ucrânia anunciou nesta semana o primeiro uso em combate de seu próprio míssil balístico de fabricação nacional, o FP-7, com alcance aproximado de 250 quilômetros. 

Zelenski afirmou ter telefonado para a fabricante Fire Point e cobrado rapidez no desenvolvimento de uma versão de maior alcance, o FP-9, que, segundo a empresa, poderia atingir Moscou.

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Com Reuters

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