Ucrânia retoma ataques a refinarias russas e Zelenskiy critica EUA

15 out 2026 - 08h48
Resumo
A Ucrânia retomou os ataques a refinarias russas após Kiev atingir Ryazan com drones, rompendo a trégua proposta por Donald Trump. O presidente Volodymyr Zelenskiy criticou os EUA por favoritismo a Moscou e denunciou o corte intencional de inteligência norte-americana e a redução de velocidade do satélite militar Starlink. A medida de Kiev responde aos contínuos bombardeios russos à infraestrutura ucraniana e à pressão de Washington para estabilizar os preços globais de combustível.

A Ucrânia retomou seus ataques a refinarias russas ‌com um ataque a uma instalação na região de Ryazan, informou o governador regional nesta quinta-feira, depois que o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy expressou sua indignação com uma "perigosa" retirada dos serviços de inteligência dos EUA.

Desde o anúncio surpresa do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um cessar-fogo energético entre a Rússia e a Ucrânia no domingo, Kiev havia ⁠se abstido de ataques às refinarias russas, aos quais o líder norte-americano atribuíra a ‌responsabilidade pelo aumento dos preços do diesel nos mercados globais.

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Mas Zelenskiy vinha manifestando crescente frustração com os contínuos ataques da Rússia à infraestrutura energética ucraniana, que, segundo ele, ‌deixaram 600 mil pessoas sem energia elétrica na quarta-feira. ‌Ele alertou que a Ucrânia não suspenderia seus próprios ataques indefinidamente se a ⁠Rússia não fizesse o mesmo e também criticou o que considerou ser o favoritismo de Trump em relação à Rússia.

Em entrevista ao Financial Times publicada na quinta-feira, ele afirmou que a paciência da Ucrânia havia se esgotado.

"A restrição (ao ataque a refinarias) acabou. Chega", disse ele ao jornal.

Pavel Malkov, governador de Ryazan, afirmou em uma postagem no Telegram que ‌um grande ataque ucraniano com drones na região havia provocado um incêndio em uma refinaria ‌de petróleo.

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"Os danos materiais estão ⁠sendo avaliados neste ⁠momento. As equipes de emergência estão trabalhando no local", disse ele.

Em sua entrevista, Zelenskiy criticou a ânsia ⁠de Washington em fechar acordos comerciais com ‌Moscou e a aparente admiração de ‌Trump pelo russo Vladimir Putin.

No sábado, Trump pediu que a Ucrânia substituísse Zelenskiy e criticou veementemente os ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa, um dia após anunciar um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, com o objetivo de ⁠reduzir os preços dos combustíveis, que dispararam desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em fevereiro.

Apesar da suspensão dos ataques a refinarias por parte da Ucrânia, autoridades ucranianas reclamaram que não haviam recebido nenhum alerta antecipado dos EUA nos últimos dias sobre mísseis ‌balísticos russos a caminho.

Eles também afirmaram que a versão militar do serviço de comunicações via satélite Starlink, de Elon Musk, teve sua velocidade reduzida em todo o país, ⁠prejudicando as operações na linha de frente e os ataques de médio alcance contra alvos militares russos.

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Musk afirmou na quarta-feira, em uma postagem no X, que o Starshield — a versão militar do Starlink — era de propriedade e controle do governo dos EUA, que decidia sobre quaisquer limites de velocidade.

Zelenskiy afirmou que oficiais militares ucranianos foram avisados por seus homólogos norte-americanos de que Washington bloquearia o acesso a informações de inteligência, a menos que suspendessem os ataques à infraestrutura energética russa.

Na entrevista ao FT, Zelenskiy disse que a suspensão foi apresentada a Kiev como uma falha técnica, mas descartou a ideia de que as falhas no sistema de satélites Starlink pudessem ter sido causadas por um problema técnico.

"Não foi um problema técnico, foi uma decisão deliberada", disse ele ao FT.

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